......... O Primeiro e Maior Romance BDSM Brasileiro .........

Submissão Concedida – 2ª Edição

Revista, atualizada e com novas práticas

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AMOR & BDSM

  

          O título está bem exposto ? Seria amor e BDSM ou BDSM e amor ? Pode parecer a mesma coisa, mas não é. No assunto em pauta, a “ordem dos fatores ALTERA o produto”. Ou seja, se o amor vem antes do BDSM, então tal relacionamento – perdoem-me os que discordam – pode estar malfadado ao fracasso.

 

          Explico:

 

          Nos relacionamentos baunilha, geralmente o amor vem antes do sexo. Como ? Primeiro se conhece a cara metade, trava-se a amizade e o entendimento, namora-se, conquista-se, sai-se de mãos dadas, janta-se fora, vai-se ao cinema, manda-se rosas e bombons, troca-se juras de amor, promete-se casamento (com os dedos cruzados né ? *RR*), conhece-se a família do outro, etc...  (não necessariamente nesta ordem e – felizmente – não necessariamente TODOS estes atos elencados *RR*), enfim, pratica-se uma série de procedimentos e atitudes que se intitulariam “conquista ou sedução” que se iniciariam desde a paquera e a troca de telefones até o surgimento do “Amor”.... Amor ? Que amor ?... Ora, o amor consequente dos comportamentos acima e para os quais o mesmo foi direcionado. O velho, famoso e meloso amor baunilha que bem conhecemos e que estampam desde belos poemas e contos até folhetins e fotonovelas “brega”. Seja em maior ou menor intensidade, sincero ou ilusório. pretenso ou gratuito.

 

          Assim, como conseqüência e evolução deste amor, surgiria o sexo entre o casal, seja mediante a tática caricato-cafageste do “cobrar uma prova de amor”, seja pela assunção daquele famoso pensamento feminino do “amo ele, então posso me entregar, porque não vou transar, vou fazer amor”.

 

          Ironias e sarcasmos a parte, pode parecer que esta minha narrativa remonta-se a um relacionamento amoroso do século passado, mas – admitamos – até hj as coisas se processam desta forma, seja em maior ou menor intensidade, pois, até hj., são poucas as mulheres que conseguem o que a maioria dos homens consegue: Fazer sexo sem nenhum sentimento maior.

 

          E por favor. Quando falo em amor como prerrogativa no sexo baunilha, não precisamos exagerar e chegar naquele sentimento insano que mal cabe dentro de nós. Podemos apenas nos referir a uma atração maior, um sentimento, uma admiração, uma paixão...

 

          Mas onde quero chegar ?... Suponhamos que, exatamente por este amor - surgido de relacionamento, procedimentos e causas baunilha - um dos membros do casal acaba por aceitar ter uma relação BDSM. Não por seu interesse nesta prática e nem mesmo por uma mera curiosidade em descobrir se tem “dom” para o D/s ou S&M. Mas sim E APENAS para agradar seu parceiro. Este sim amante da pratica BDSM. Desta forma, a relação BDSM entre os dois teria nascido do amor baunilha e teve em si a causa (ou desculpa) para sua prática.... Lembram-se da minha idéia do “São, Seguro, Consensual e Honesto” ? Teríamos aí um  relacionamento que explicitamente não é honesto, uma vez que uma das partes não estaria praticando o BDSM PELO PRAZER DO BDSM e sim por amor, e o que é mais grave, por um amor baunilha.

 

          Isso ocorre muito quando um dos membros do casal se agrada do BDSM e o outro não, ou até desconhece tal fantasia. Assim, o primeiro, convenceria o segundo a experimentar e praticar o BDSM, não em busca do prazer, de uma nova experiência ou da descoberta de seu “dom” como sub ou mesmo como Domme, mas sim como “uma prova de” ou “em nome do” amor (mais uma vez lembro: amor baunilha).

 

          Estaríamos aí diante do maior exemplo de “transa apimentada” e “intenções excusas” no BDSM. Mesmo porque, convenhamos, este amor nada tem a ver com BDSM, em nada o ajuda, não tem com ele cumplicidade, a atitude do “convencedor” foi sem dúvida cafajeste e não existiria aí qualquer honestidade do ponto de vista do surgimento de uma relação verdadeiramente BDSM. Pode ser até que a parte “convencida” acabe por se agradar do BDSM. Mas isso não abonaria a conduta com a qual a mesma foi encaminhada a este nosso universo.

 

          Num grau ainda mais elevado de falta de honestidade, teríamos aquela pessoa que, amando a outra e em nome deste amor ou por medo de perder sua cara metade, aceita e se empenha em praticar o BDSM para conquistar o amor de quem ama, numa atitude, diga-se de passagem, ineficiente, porque o amor que esta pessoa quer é o baunilha e o amor que pode – com muito esforço e dissimulação – conseguir, é o AMOR BDSM.

 

          Em suma, ela não procura um Mestre, um dominador ou um dono. Ela procura um namorado, uma paixão para suprir suas carências afetivas, e imagina que o BDSM seja um bom caminho para isso.... Ledo engano.

 

           Mas... então não existe amor no BDSM ? Nunca ? Nem depois de uma relação consolidada nos mais honestos parâmetros de envolvimento ?

 

            ....

 

               TOUCHÉ....

 

            ...

 

          Aí chegamos à outra forma de ligação do BDSM com o amor. Ou seja, o Amor DEPOIS do BDSM. Aquele amor que surge “NO” BDSM e que eu intitularia de “AMOR BDSM” .

 

          Tem radicais que dizem não existir o mesmo... Coitados, não sabem o que estão perdendo *rs

 

           ... Será que não sabem mesmo ? Será que o que existe aí não é um imenso “tabu” que proíbe ou inibe a exibição e assunção deste amor ? Se perguntarmos à maioria destes céticos o que sentem por seus parceiros de maior constância e longa data e relacionamento no BDSM, e se eles respondessem com sinceridade e exaustão, impreterivelmente discorreriam uma série de sentimentos, comportamentos, atrações e admirações que só poderiam ser traduzidas numa única palavra: Amor.

           Será que o preconceito e o medo de envolvimento não os deixa ver que o sentimento que alguns tentam (as vezes inutilmente) sufocar não é um amor baunilha, mas sim um amor legitimamente BDSM ? Será que julgam que amar torna o Mestre mais frágil ou a escrava mais “exigente” ?

 

           Realmente, numa relação “bate/apanha libertina” pode ser menos comum surgir tal sentimento (estou sendo radical ? Desculpe). Mas no outro pólo do BDSM, na relação 24/7, dá para se imaginar esta existindo em sua plenitude sem que surja ou exista um amor honesta e legitimamente BDSM ?... Bem... como extremos  são sempre mais fáceis de ser analisados, fiquemos na “média”. Ou seja, no relacionamento D/s mais comum e mais básico, os quais - acredito - ainda são a maioria.

 

          Mesmo nele, o verdadeiro, honesto e honrado relacionamento BDSM é algo muito complexo. O nível de envolvimento, de cumplicidade, de respeito, dedicação, amizade, libido, atração, convívio, confiança, entrega, segurança, caráter, honra  e outros que surgem, se desenvolvem e solidificam é tão imenso que é IMPOSSÍVEL imaginar que com tudo isso não possa naturalmente surgir um sentimento mais forte. Dá para imaginar numa relação baunilha incluir com intensidade tudo o que elenquei acima e que são premissas básicas numa relação BDSM honesta ?  Iria ser um Amor que novela mexicana nenhuma conseguiria conceber. *rs

 

          Logo, como imaginar que num relacionamento onde exista com tamanha intensidade todas estas qualidades de caráter e relacionamento, os praticantes possam se manter “imunes” ao surgimento de um sentimento maior que só poderíamos denominar de amor ? Impossível não ? Ou no mínimo IMATURO.

 

          Sim, Imaturo. Porque um sentimento tão imenso e lindo, surgido honesta e naturalmente  consequente desta relação legitimamente BDSM, o verdadeiro Amor BDSM, acabaria por ser evitado, sufocado e ignorado pelos praticantes. E em nome de que ? Porque ?

 

          A escrava por julgar que não pode almejar nem muito menos cobrar de seu Mestre um comportamento e consideração por ela por vezes mais “amoroso e romântico” ou até mesmo com medo que o seu amor não seja correspondido ou, pior,   tendo vergonha e receio de expor o mesmo por julgar que seu Mestre não irá se agradar dele, abominá-lo ou julgar seu comportamento baunilha ou desonesto.

 

          O Mestre por outro lado, sufocando o surgimento ou exposição deste sentimento por  medo que a conseqüência dele seja um romantismo, um carinho, uma sensibilidade e um comportamento com sua escrava que poderia acabar sendo encarado de incompativelmente baunilha, “derretimento do Mestre banana” ou até “perda de pulso”.

 

          Já imaginaram isso acontecendo com ambos na relação ao mesmo tempo ? Que desperdício, não ? Ao que os tabus e preconceitos nos levam... tsc tsc...

 

          Este amor que surge no BDSM,  “É BDSM”. É legitimamente BDSM. E deve ser cultivado, ampliado, respeitado e compartilhado pelos praticantes dessa nossa maravilhosa fantasia/ideal de vida, que  deveriam ter orgulho de ter dentro de si tal sentimento que só demonstra a sensibilidade, a cumplicidade e a intensidade que deve reinar sempre em qualquer relação honesta e assumidamente BDSM.

 

          Ele não encaminha os praticantes ao baunilha, nem enfraquece suas posições e práticas D/s ou S&M. Ao contrário. Por vezes até as solidifica, amplia e enaltece. Então, porque evitar, esconder, sufocar, renegar ou se envergonhar de amar no BDSM ?

 

          Concluindo, existe amor no BDSM sim. E muito. Afinal, o Mestre não é um Monolito frio e insensível para conseguir manter-se alheio e inexpugnável a tudo de especial que sua sub lhe oferece e nem esta um ser acéfalo e desprovido de sentimentos senão o respeito e dedicação ao seu Dono.

 

          Em suma, nunca faça-se BDSM por amor. Mas ame-se, e ame-se muito, assumindo-se sem vergonha ou medos esse amor que surge no BDSM.

 

                        É a minha opinião, 

 

Jot@SM