.................. O Primeiro Romance BDSM Brasileiro ..................

Submissão Concedida

          do Mestre Jot@SM

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TRANSA APIMENTADA x BDSM

 

          Qual seria a diferença entre uma transa apimentada e uma sessão(*)/relação BDSM light ? Onde termina o baunilha e começa o BDSM ?


          A importância de tais questões não está em desnecessariamente julgarmos quem “mereceria pertencer com honras” ao nosso grupo ou está simplesmente brincando de “um tapinha não dói”. O interesse estaria no ponto de vista estatístico que por vezes é levantado, exatamente para poder responder aos questionamentos de quantas pessoas vivenciam e se agradam do BDSM, se existem mais praticantes do que imaginamos ou se a grande massa na realidade apenas apimenta suas relações.

 

          Não há porque também menosprezar, desdenhar ou relevar a sexualidade e opção de cada um. Muito pelo contrário. Não desabona ninguém ser praticante de uma boa transa apimentada e se esta é a opção prazerosa de ambos, ninguém tem nada a ver com isso, muito menos o direito de criticá-los. Não é este o objetivo deste texto, e sim, tentar encontrar uma distinção entre ambos, sem julgamentos ou soberbas e a partir daí responder quantas pessoas vivenciam nossa fantasia.


         Para responder a isso, teríamos que inicialmente definir se as “transas apimentadas” estariam no universo do BDSM ou não, e aí sim poderíamos calcular o efetivo numero de “ainda baunilhas” e definir “onde termina o baunilha e começa uma sessão/relação BDSM autêntica, mesmo que Light.


          Mas repito que a importância estaria mais para “IBGE” que para qualquer recriminação/desprezo aos que praticam a transa apimentada. Mesmo porque, eles estão pouco se lixando para a nossa opinião. Isso se por acaso eles sabem que a gente existe. *RRR*


          Na minha opinião, as “transas apimentadas” (que passarei a chamar apenas de TA) não podem ser consideradas como BDSM. Logo, o início do universo BDSM se daria no momento que se evolui da TA e se adentra efetivamente numa relação mais séria, honesta e autenticamente BDSM, mesmo que muito, mas muuito Light.


          Para mim, simplesmente “dar uns tapinhas”, “amarrar na cama”, “chamar de cadela e puta”, “cavalgar como ponei”, “dar e obedecer ordens”, não faz de uma transa uma sessão BDSM. É preciso mais do que isso.

 

          Mas se não são as atitudes que definem a diferença entre a TA e a relação BDSM, o que é ?


          Na minha opinião, é a
INTENÇÃO !!!... Sim... a intenção !!!... Eu explico:


          Numa TA, os participantes tem uma relação primordialmente baunilha. Muitas vezes são namorados, casados ou simplesmente amantes. O que os levou a Ter esta relação e estar tendo aquele envolvimento afetivo e carnal foram motivos baunilhas. Quando um deles sugere um tapinha (maioria das vezes porque ouviu aquela “ irritante musiquinha funk” ou porque é fã da boazuda da Tiazinha), ou quando este tapinha sai instintivamente no meio da penetração, eles estão ali apenas incluindo numa transa baunilha um ingrediente a mais de tesão: a dor.

 

          Sim. “a dor é um ingrediente a mais e extremamente eficaz (bem sabemos nós na prática *RRR*). Mesmo a ciência, já estuda que a dor é a sensação mais próxima do prazer. Quem discorda, basta observar as reações físicas que nosso corpo e nosso organismo têm para com a dor e para com o prazer: São idênticas !!!: Contrações, gritos, urros, gemidos, trincar de dentes, espasmos, etc... Assim, quando a amante recebe otapinha” e se agrada dele, ela (ainda)
não esta sendo masoquista. Ela apenas esta usufruindo deste prazer e desta coligação entre dor e tesão que efetiva e eficientemente existe.


          Mas quando então ela passaria a ser masoquista ?

 

          Observemos que na maioria das vezes, os “tapinhas” são desferidos no momento da penetração ou em outro momento em que a “vítima” estaria tendo estímulos eróticos de outra forma. Ou seja, ela estaria tendo tesão por outros meios e estaria apenas ampliando-o com a dor do tapa. Assim, ela não estaria sentindo tesão NO tapa, e sim no sexo que se amplia em prazer por conta do tapa. Por isso ela não seria uma masoquista, mesmo se agradando da dor naquele momento em especial. Mas a partir do momento em que ela sentir prazer ou excitação NA dor, mesmo que sentida concomitantemente com outros estímulos prazerosos, ela será considerada masoquista e - aí sim - ela estará incluída no universo BDSM.

 

          E não se assustem os incrédulos. O prazer pela dor é mais intenso do que se imagina. Uma masoquista hard pode ter orgasmos múltiplos sem sequer ser tocada, mas simplesmente sentindo dor e sem mais nenhum outro estímulo erótico.

 

          Mas não estou dizendo aqui que somente estas seriam verdadeiramente  masoquistas. A masoquista é aquela que sente prazer com a dor e na dor, mesmo que esta seja sentida juntamente com outros estímulos eróticos. Não é necessário que sinta prazer exclusivamente na dor ou com dor, mas também não pode-se chamar de masoquista aquela que “releva” um tapinha durante seu êxtase de tesão. Esta estaria apenas apimentando sua relação.

 

          Da mesma forma, não se julgue que a simples sensação de dor seja suficiente para o prazer de uma masoquista. A dor no BDSM é sempre acompanhada de outros estímulos e no mínimo de um contexto que a torna erótica. Nem a mais masoquista das masoquistas vai ter um orgasmo ao simplesmente bater sua canela na quina da mesa. *RRR

 

          Falamos até aqui da amante que está apanhando, mas e o amante que está batendo ?


          Ora, ele pode estar fazendo aquilo por diversos motivos: Apenas para agradar a parceira (ela sim é masoquista), porque viu e achou bonitinho em algum filme, ou mesmo para ter algum “sentimento de poder” e elevar sua auto-estima. Mas, ele está sentindo prazer com aquilo ? Ele sente efetivo prazer exclusivamente no gesto de bater ? Ou está fazendo aquilo apenas para aumentar um pouco o tesão que está sentindo com o restante da transa baunilha ? Se for isso, ela é um TA, mas quando ele sentir prazer em infringir a dor e fazê-lo simplesmente por seu ato, não por vingança, vaidade ou falsa auto-estima (em suma, com HONESTIDADE), ele estará se transformando num sádico e adentrando no universo BDSM.


          Da mesma forma que o tapinha, outro “tempero” usual para a transa baunilha é o ato de “amarrar a parceira na cama” ou - de alguma forma – “subjugá-la à força”, ou mesmo obter dela a obediência e submissão (daí saindo do S&M e adentrando no D/s). Ora, obedecer ordens não transforma ninguém em submisso D/s, senão, maioria dos grandes Mestre e Dominadores, em sua rotina de trabalho, seriam submissos pra lá de masoquistas hard *RR*.

 

          Também simplesmente amarrar na cama não transforma nenhuma relação em BDSM e, ainda nestes dois casos, teríamos um agravante: Porque está se amarrando o parceiro  na cama ou obedecendo ordens ?


          Geralmente na TA, acompanhado do ato de amarrar ou subjugar a amante, sempre vem uma “historinha” onde os parceiros teatralizam algum personagem. A amante não esta ali amarrada por SER uma escrava ou submissa, mas sim “encenando” que é uma mulher sequestrada, uma presidiária, uma herege julgada pela Inquisição, etc. Também não respeita as ordens por seu dom de submissa ou por sua entrega e dedicação a seu Dono, e sim porque está na pele do personagem escrava romana, secretária tarada ou empregadinha doméstica. Pode até ser que algum dos parceiros - ou ambos – saibam da existência do BDSM. Mas estes adeptos da TA geralmente acham os “verdadeiros
motivos do BDSM” muito sem gracinha” para pratica-lo. Para eles, o sentimento de “pertencer e obedecer verdadeiramente a alguém é muito humilhante e coisa para quem tem baixa estima (SIC)”. Logo, para eles, é muito mais excitante e “legalzinho” imaginar-se como sendo um personagem, e a partir daí criar uma “historinha”, uma “fantasia”, seja de sequestro, de presidiária, de prostituta, etc...


          Ali, não estão dois verdadeiros BDSM (Um Mestre e uma escrava). Estão dois baunilhas com aspirações teatrais representando (na maioria das vezes com qualidades cênicas deploráveis *rs) seus personagens.

 

          Condenável ?


          Não. Afinal, vale tudo na busca do prazer com consensualidade. Mas mesmo que os “personagens” escolhidos por eles sejam um Mestre e uma escrava (uma vez que eles tenham conhecimento da nossa fantasia e não a achem menos interessante que as demais) Eles certamente irão representar caricatos “Poderoso e Onipotente Mestre Dominador e sua subserviente, humilhada e
zero-à-esquerda escrava”. Seria essa uma relação/sessão BDSM ? Não. Claro que não.


          Note-se que mais uma vez aparece a palavra “representar”. Ou seja, eles estão ali apenas fazendo um teatrinho para ampliar o prazer estritamente baunilha que têm. Não SÃO Mestre e escrava. São baunilhas representando os PERSONAGENS de Mestre e escrava. E aí vem uma brilhante observação: Não se representa” o BDSM, se “ vive ele”. Não se veste a fantasia de Mestre e escrava. SE É Mestre e escrava.


          E tal vivência – para mim – acrescento, existe sincera e verdadeiramente também numa relação BDSM com sessões esporádicas ou no mais light dos relacionamentos BDSM. Na hora da sessão, tanto a escrava quanto o Mestre estão SENDO “apenas” o que eles REALMENTE SÃO (mas que por impedimentos ou por escolha, preferem restringir apenas aqueles momentos em que estão juntos, não ampliando para uma relação mais constante ou 24/7). Mas mesmo assim, eles não estão em hipótese nenhuma “representando”. Estão, isso sim, tirando de dentro de si uma personalidade natural e verdadeira que lá existe e que naquele momento pode se estravasar e se regozijar em viver todo aquele momento plena e honestamente com o “intuito” de “praticar o BDSM e não de “Apimentar uma relação baunilha já existente e independente do BDSM” ou “fazer uma brincadeirinha”.


          Em suma, o limite que separa a TA do BDSM não é a pratica dos atos, e sim a intenção e honestidade com que são praticados. E mais, tb. não seria a intensidade de tais atos que marcaria a passagem da TA para o BDSM. Pois uma TA pode ser até bem mais Hard que muita sessão BDSM mais Light. A amante pode vir a levar “tapinhas” e humilhações maiores que uma escrava verdadeira do qual o Mestre não é sádico ou dominador Hard. O que distingue uma da outra é a intenção e a honestidade com que ela é praticada. Ou seja. O objetivo daquela sessão é o BDSM e não apimentar o baunilha. O relacionamento que um tem com o outro é primordialmente de Mestre/escrava (mesmo que se permitam também ser namorados/casados). E – principalmente – mesmo que esporadicamente, os praticantes não estão ali “representando ou teatralizando” a relação. Eles estão vivenciando o Mestre a escrava que realmente são.


          Por fim, viria a pergunta:
Uma relação BDSM verdadeira não poderia nascer de uma transa apimentada ou de uma relação baunilha ?


          Na minha prática e opinião, e para mim pessoalmente, não me agrada a idéia de misturar matrimônio ou namoro anterior com BDSM. Porém, reconheço que PODE sim, de um relacionamento baunilha surgir uma relação BDSM posterior, paralela e autêntica. E não é preciso que a relação seja “transformada” totalmente de baunilha para BDSM. O casal pode permanecer marido/mulher ou namorados. Continuar passeando de mãos dadas no parque, trocando juras de amor, tendo seus filhos, sua rotina doméstica curriqueira, enfim, sua vida “normal
(odeio essa classificação *RRR*), e, esporadicamente, terem sessões BDSM.


          Depois do que já expus, para que tais sessões sejam legítimas sessões BDSM e não uma transa apimentada, basta este casal conhecer o BDSM, se agradar sinceramente dele, pratica-lo com a “intenção” no BDSM, com honestidade, e naquele momento vivenciar plenamente os verdadeiros Mestre e escrava que são (e que podem ter descoberto só depois do casamento/namoro, pq. Não ?), mesmo que no restante do dia/semana/mês sejam 100% baunilhas plus como sempre foram.


         
Em resumo: O que distingue o BDSM da transa apimentada e o limite onde surge o BDSM, está na intenção, na sinceridade e na honestidade da relação, mesmo que esporádica e light, e não na prática, na forma ou na intensidade dos atos.


          Por fim, na questão estatística, o universo de pessoas que praticam com consensualidade atos inerentes ao BDSM é grande, mas o numero de verdadeiros BDSMs continua (infelizmente) ainda diminuto. Porém, acredito que com a divulgação e desmarginalização de nossa fantasia/ideal, tal número tenda a se ampliar a partir do momento que aqueles casais que hoje praticam empiricamente a TA tenham a oportunidade de se descobrir BDSMs, ou quando um deles, após ter praticado com prazer a TA e se descoberto verdadeiramente BDSM (e seu parceiro não), acabe por procurar outros parceiros tb. autênticos para manter sua continuidade e evolução. Isso é comum, ainda mais que muitas pessoas ao praticarem a TA na época nem sabem que existe o BDSM e a fazem por um instinto que não sabem definir no momento, mas que depois irão procurar descobrir o que é e descobrem que ele existe em muitas pessoas, e é apoiado, admirado e respeitado por este grupo: o nosso "dom".

 

          Mas também há de se reconhecer que a TA ajuda na descoberta de novos adeptos, uma vez que muitos buscam (por receio, preconceito ou limitação) apenas uma TA e, ao praticá-la ou se interessar por ela, acabam se descobrindo com o seu “dom” interior e, mesmo sem entender, acabam pela força dele ficando cada vez mais ligados ao BDSM.

 

          É a minha opinião,

 

                                                Jot@SM




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SESSÃO: Não confundir com “cena”. A sessão é o momento quando as pessoas irão praticar e encarnar o BDSM. Pode durar horas, dias ou semanas, com ou sem interrupções, extrapolando campos de atuação, temporais e físicos.