......... O Primeiro e Maior Romance BDSM Brasileiro .........

Submissão Concedida – 2ª Edição

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A RESCISÃO DA

ENTREGA TOTAL DA ESCRAVA

 

           Houve certa vez um debate muito interessante travado no aberto da sala Escravas e Submissas” do UOL. Como não leio mensagens enviadas no aberto para outras pessoas (e não leio mesmo, podem me xingar a vontade nelas *RR), acabei – infelizmente - não participando do mesmo. Porém, como tema é muito interessante, acabei por escrever este texto para expor minha opinião.

 

          O pergunta inicial era: “É possível acontecer de uma escrava em entrega total sem limites terminar a relação ?”

 

         A pergunta se baseia – imagino – na idéia de que, se a escrava tem uma entrega total sem limites, ela permitiu que seu Mestre fizesse “TUDO” com ela. Logo, o que o Mestre poderia fazer que ensejasse a desistência da escrava na relação ?

 

         Bastante coerente a dúvida. Mas, vejamos – preliminarmente - duas situações básicas em que isso ocorreria:

 

         situação )  Infelizmente é muito comum em nosso meio a existência de determinados mestres que, na busca de subs. e prestígio, vendem uma  imagem de si e de sua dominação que não condiz com sua realidade.

 

          E – pior ainda – sua verdadeira personalidade (que muitas vezes é exercida de forma cafajeste às escondidas) por vezes é o exato oposto daquilo que expõe ao público e à sub. que tenha conquistado.

 

          Porém, sendo um mínimo convincente, ele irá conseguir enganá-la e – oferecendo o que não dá com sinceridade e mostrando-se alguém que não é – poderá acabar por conseguir desta sub uma entrega total sem limites.

 

          Ora, como é impossível enganar alguém para sempre, mais cedo ou mais tarde esta sub. descobrirá a verdadeira personalidade e (falta de) caráter daquele em quem um dia confiou cegamente e, claro, irá se afastar dele.

 

          Ela não estava numa entrega total sem limites ? Claro que sim. Mas estava ludibriada e a sua entrega era à uma pessoa que não existia. Logo, temos aí uma situação em que a escrava, mesmo com sua entrega total sincera, desiste do seu “m”estre.

 

          situação ) Pode tb. ocorrer que a entrega total da escrava venha a “subir a cabeça do Mestre” e , desta forma, ele acabe extrapolando ou mesmo alterando seu comportamento com sua sub. Isso é mais comum de acontecer do que se imagina, pois existem Dominadores que se utilizam de nossa fantasia para amenizar problemas de auto-estima. E estes, sem dúvida, terão seu comportamento e até sua sanidade alterados com a plenitude da entrega total de sua sub.

 

          Neste caso, ele deixa de ser aquela pessoa a quem a sub fez sua entrega total. E, é claro, vendo ela esta situação, cabe rever sua decisão e questionar se o comportamento e a personalidade alterados de seu Mestre não comprometem a sua entrega total. Concluindo que sim, teríamos mais um caso onde a escrava com entrega total sem limites se afasta daquele a quem entregou-se por completo.

 

          ...

 

           Porém, imagino que o âmago da questão não esteja em nenhum dos dois casos “mais extremos” que citei. Acredito que o debate levantado visava responder mais à questão: “Se uma escrava faz uma entrega total sem limites e com isso permite que seu Dono faça TUDO com ela, então, o que ele poderia fazer que ensejaria nela a desistência de sua entrega ?”

 

          Neste caso, o Dono seria sincero e a sua personalidade não se alterou com a entrega da escrava. Assim, existe algo que o Dono possa fazer com sua escrava de entrega total sem limites que a leve a abandoná-lo ?....

    

         Claro que sim !!! E exponho:

 

         Lembremo-nos da tríade “São, seguro e Consensual”. Ora, o que é a entrega total sem limites (a mais elevada, completa e maravilhosa  atitude de uma escrava para com seu Dono), senão ela abrir mão do “consensual” ?

 

          Em suma, seu Dono não irá mais “negociar” os limites da escrava. Terá sobre ela o direito de fazer o que quiser sem consulta-la e sem se preocupar se isso seria de seu agrado ou permissão, bem como todos os infinitos jogos e brincadeiras saudáveis do BDSM estarão à sua disposição para realização, mesmo que não sejam do agrado/preferência ou aceite de sua escrava. Da mesma forma, não caberá à ela reclamar do que seu Mestre faça, permitindo “tudo” sem questionar ou tolher suas atitudes e tb. se livrando da desagradável tarefa de “dizer sim” a determinadas fantasias propostas, pois muitas vezes a escrava se entrega totalmente na esperança de que seu Mestre faça com ela fantasias que ela não teria coragem de permitir expressamente, mas que gostaria muito de fazer.

 

          Destarte, passa a existir um poder e uma liberdade do Mestre de agir que torna a relação sem duvida mais ampla e, de outro lado, há a completa realização da escrava submissa, na medida em que ela se entrega totalmente à tarefa de se dedicar e pertencer integralmente a seu Dono, numa prova única e incalculável de confiança e segurança nele.

 

         ...

                Bingo !

         ....

   

          Está aí a questão...

    

          Quando a escrava faz sua entrega total sem limites, como já disse, ela esta abrindo mão do “consensual”, mas não do “são” nem do “seguro”. Assim, ela se entrega sim, TOTALMENTE, a seu dono, mas – é obvio – que ela espera dele a devida COERÊNCIA (Sanidade) em seus desejos e em suas ordens e que seja mantida a saúde e a SEGURANÇA dela na relação, nas ordens, nas cenas, nas atitudes e nos desejos de seu Mestre.

 

          Isso vem ao encontro da minha idéia de que determinados “limites” não podem ser encarados como “limites”, pois não estão ligados à consensualidade que pode ser abolida pela escrava, e sim com à “coerência”, “obviedade” e “saúde”, estando assim ligados à “sanidade e segurança da relação” que são obrigações irretratáveis do Mestre.

 

          Os “limites” estão assim no campo da consensualidade, e desta forma podem ser abdicados pela escrava. São coisas e atos que ela pode fazer, mas que por algum motivo muito forte e pessoal se recusa. Porém, como já disse, algumas atitudes que a princípio possam parecer “limites”, estão na verdade no campo da coerência e da segurança que um Mestre sempre deve respeitar, mesmo obtendo a entrega total de sua escrava.

 

          Exemplos ?

 

          Um Mestre que tenha a entrega total de sua escrava, se intrometer e atrapalhar sua vida profissional (do qual ela necessita), não se trata de “testar seu poder ou a intensidade da entrega da sub”, Mas sim extrapolar o mínimo de coerência em suas ordens e desejos.

 

          Ter todo o direito de fazer o que quiser, não dá direito ao Mestre de cometer uma atrocidade ou um crime com sua escrava ou força-la a cometer um.

 

          Assim, mesmo com a entrega total sem limites da escrava, cabe ao seu Dono manter total coerência e sanidade naquilo que almeje, faça ou ordene à sua sub.

 

          Não estou aqui tentando dizer que “entrega total não exista”. Existe sim, claro, mas restrita ao “consensual” da tríade e, é claro, esperando que do lado do Mestre a devida coerência em seus atos e ordens respeite a manutenção desta entrega. Por isso mesmo uma escrava deve antecipadamente se certificar do caráter, intenção e coerência daquele a quem pretende se entregar

 

          Continuando... A entrega total tb não subtende a perda pela escrava do direito de exigir SEGURANÇA na relação.

 

          O Mestre pode fazer tudo ? Pode. Contanto É CLARO que respeite a  saúde (inclusive mental) de sua sub. E suas limitações físicas próprias, das quais ela não pode abrir mão.

 

          Mandar uma escrava diabética comer uma torta de chocolate ou amordaçar com fita Silver Tipe uma escrava com asma e rinite não é testar sua entrega, é querer que ela lhe devolva a coleira no túmulo.

 

          Preocupação com a saúde é um quesito básico e mínimo no BDSM que não é afastado nunca, nem pela entrega total da escrava.

 

          Até mesmo o mais hard dos praticantes de  trash” se preocupa com a saúde. Num exemplo simples, mandar uma escrava lamber a sola do sapato imundo que acabou de chegar da rua não é testar sua submissão ou humilhá-la. É por em risco sua saúde, e isso nenhum Mestre com poder total tem o direito de fazer.

 

          Teria muitos outros exemplos. Passar a – por comodidade ou capricho – não se preocupar com preceitos mínimos de higiene ou ordenar coisas que comprometam a saúde e a integridade física e psicológica da “pessoa” que existe antes da escrava submissa – repito - é inadmissível, mais uma vez porque não extrapola apenas o campo do “consensual” vencido com a entrega total da escrava, mas também o campo do “seguro” que nunca deve ser relevado.

 

        Neste casos, num instinto de preservação mínimo, a escrava deve abandonar este Mestre, sem com isso ter comprometida a entrega total que fez. Pois foi ele que não a respeitou, e não ela que se arrependeu.

 

          Resumindo, a entrega total existe sim, mas esta restrita à consensualidade na relação. É uma atitude da escrava que – demonstrando sua total confiança e segurança em seu Dono – coloca nas mãos dele a decisão dos rumos e das mínimas atitudes dentro da relação sem a necessidade de seu consentimento prévio ou da preocupação dele com o seu agrado ou aprovação. Porém, tal entrega subtende incontestavelmente a necessidade irretratável e intransponível do Mestre observar os preceitos mínimos de sanidade e segurança que – uma vez extrapolados – devem ensejar sim, a imediata reação da escrava. Se não desistindo da relação, no mínimo “alertando” seu Mestre do seu deslize (sem que isso seja um sintoma de que ela esteja comprometendo sua entrega total).

 

                     É a minha opinião,     

 

                                                Jot@SM