......... O Primeiro e Maior Romance BDSM Brasileiro .........

Submissão Concedida – 2ª Edição

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COAÇÃO NO BDSM

 

        Sempre escrevo em meus textos que a “Coação” não faz parte do BDSM.

 

        Um dia, no entanto, me indaguei:

 

        E quando o Mestre ordena que a escrava faça algo sob ameaça do chicote ? E quando o Mestre determina as linhas de conduta que devem ser seguidas sob pena de desaprovar a escrava ? E quando o Mestre exige de sua serva comportamentos e atitudes/obediência mínimos sob ameaça dela desinteressar-lhe e perder sua coleira ? E quando – sem perguntar e sem resposta – o Mestre ordena rígida e intransigentemente algo que sabe que a escrava esta relutante em fazer ?

 

                Isso tudo não seriam exemplos explícitos de coação ?

 

                      Sim.

 

                Então andei falando besteira ?

 

                      Não.

 

        Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que quando falo que a coação não faz parte do BDSM, refiro-me basicamente “aos motivos que levam à pratica do BDSM”. Ou seja, uma escrava não pode ser levada a fazer o BDSM sob nenhuma forma de coação. Ela não pode ser “forçada a ser escrava”, pois isso seria uma agressão e não uma fantasia, passível de encaminhamento do “mestre” ‘a Delegacia de Mulheres. Não se pode conquistar a entrega de uma escrava sob chantagem, coação, falsas promessas ou retribuição escusa, seja de que tipo for. A escrava deve ser escrava por sua vontade, consensualidade, vocação e ENTREGA. É daí que nasce a mesma distinção que existe entre sexo e estupro, entre um excitante spanking saudável e uma agressão familiar matrimonial, entre bondage e cárcere privado, etc...

 

                 Mas salvo este supedâneo, não haveria “coação” dentro da sessão e do relacionamento, como elencado em minhas dúvidas ?

 

                      Sim... e não !

 

 

         Explico:

 

         Pode haver na sessão dois tipos de coação: aquela “saudável”, que faz parte do BDSM e que se faz necessária para a prática e desenvolvimento da fantasia e da busca da obediência, disciplinamento, desenvolvimento e entrega da escrava, visando vencer sua relutância, seus tabus e “limitações baunilhas”, e que eu intitularia de “coação BDSM”; e aquela condenável e inadmissível, que visa impor um poder total do Mestre sob sua escrava, e obter dela algo que lhe é efetivamente inaceitável.

 

         Ora, algo é “efetivamente inaceitável” para uma escrava ? Claro que sim. E deve ser respeitado. E é exatamente a sua obtenção através de qualquer método, que não o da evolução e desenvolvimento da escrava por seu Mestre, que pode ser classificado de “coação inadmissível e condenável”.

 

         Mas estas negativas superáveis não seriam exemplos do intolerável “Charminho de escrava ?” (deve ter Mestre já coçando a mão no chicote ao ouvir essa palavra).

 

        Não. Não se trata de “charminho”. “Charminho” é aquela atitude simulada e proposital feita por algumas escravas em busca de castigos. É metiê de um tipo de escrava (a arredia), que busca numa falsa dificuldade a cena e fantasia de ser coagida e castigada por sua relutância, petulância e desobediência. Não é disso que estou falando. Estou falando de verdadeiras barreiras e limitações que a grande maioria das mulheres tem em realizar sem remorso e com segurança as suas íntimas fantasias.

 

                 Mas isso é admissível a uma escrava ?

 

                      Numa fase inicial, CLARO !

 

         É preciso ver que antes da escrava, existe a pessoa... E ainda mais, a mulher...

 

         ...Aquela que foi criada, educada e sofre em seu dia a dia com a repressão das imposições sociais, com os preconceitos, tabus e falsos moralismos que a levam a abrir mão de suas fantasias sexuais ou BDSM mais arrojadas e muitas vezes até mesmo de sua libido mais básica. Que são reprimidas a ponto de acreditarem que “não devem” ou que “não podem” praticar determinado ato. Tal repressão as impõe finalmente que “não queiram” praticá-lo, sob pena de incuti-las culpa ou remorso.

 

        Porém, é exatamente esta asfixia que muitas vezes as levam em busca do BDSM.

 

        Salvo a maioria esmagadora que - independente de qualquer outro motivo - sentem legítimo e sincero prazer na submissão e/ou dor, muitas mulheres podem adentrar no BDSM também buscando o dogma caricato, porém eficiente e bastante preconizada pelos psicólogos (igualmente àquele de que Sádicos odeiam as mulheres *RRR), de que a escrava se livraria da culpa/remorso ao se auto-consolar dizendo que foi “obrigada” a fazer o que fez durante a sessão. Que “não desejou, não aceitou e nem quis”, mas teve que fazer em obediência a seu Dono, pois essa é a sua obrigação.

 

         Porém, não abraço muito esta idéia tão difundida, por acreditar menos na covardia da mulher em ter que usá-la do que em sua personalidade forte de buscar a sua realização íntima. Acredito, por isso, que o que a maioria das mulheres buscam  e esperam poder encontrar no BDSM (após beeemmmmm joeirado, claro) é aquele alguém que não as julgará por seus atos, não as condenará como levianas pela exposição de sua libido e saberá valorizar a sua entrega sem preconceitos e sem hipocrisias: O Mestre !.. O SEU DONO. Aquele que também irá guiá-las e comandá-las na extirpação total desta vergonha e limitação que a sociedade as impõe hipócrita e opressivamente. Alguém com quem elas não precisarão se preocupar com a reação negativa quando aceitarem (e até mesmo sugerirem) uma fantasia mais arrojada. Alguém que só as valorizará e respeitará mais, quanto maior for a sua entrega e a sua libido e fantasias se expuserem. Ao contrário dos baunilhas preconceituosos (maioria esmagadora), que por acreditam em dogmas como “mulher de fé e mulher de ” e em absurdos científicos como a “doença” do furor intra-uterino, podem “se assustar” ao deparar-se com a intensa libido e fantasias de sua parceira, chegando até mesmo a ininteligivelmente desprezá-la.

 

        Assim, é sob esta égide HONESTA que muitas mulheres se tornam escravas. Elas procuram este alguém com quem se sentirão à vontade de soltar suas fantasias, de expô-las, de praticá-las e de ter a retribuição sincera e valorosa por isso. Mas principalmente, alguém que saberá guiá-las não só na abertura destes seus tabus e opressão, mas também que saberá apresentar a elas outras e muitas fantasias que nem julgava existir. Que saberá guiá-las na descoberta e extração de toda a sua libido e fantasia que nem imaginavam ser tão intensa. Alguém que não aceitará um “não” como resposta, quando este “não” vier do tabu trazido da mulher do dia a dia, e não represente uma verdadeira e sincera negativa DA ESCRAVA.

 

                  Mas o que tem isso a ver com “coação”, que foi o intuito e título do texto ?

 

          Ora, é nesta situação que muitas vezes torna-se necessária uma saudável coação na sessão, aquela que chamei acima de “coação BDSM”. Ela serve para que o Mestre  - com muito cuidado, sensibilidade e sem muito esforço, claro - possa transformar aquele “não” ou até mesmo (mais comum) uma omissão ou dúvida, em um consentimento, assunção e entrega da escrava. Pois é exatamente isso que ela espera: Que o Mestre a liberte de seus preconceitos e a ajude a se realizar totalmente como mulher e submissa, indo além da sua “vontade” e ultrapassando os seus limites... os seus FALSOS limites... Os seus limites e tabus baunilha e social.

 

         Neste caso é ainda mais comum que o Mestre nada pergunte. Apenas tome para si o corpo e alma da sua escrava que já o fora ofertado e com ela pratique todos os atos mais libidinosos e as mais loucas fantasias, evoluindo-a como fêmea e como escrava. Pq é isso que ela espera em seu íntimo que aconteça, sem precisar ter que passar pela desagradável situação de CONCORDAR, ou pior... “pedir” ! E se mesmo assim, num reflexo de seus tabus a serem extirpados, ela ainda proferir uma negativa, cabe então a “coação BDSM”.

 

         Mas por favor, não confundam o que estou dizendo com aquelas frases cafajestes que dizem que toda mulher é no fundo promíscua e que todo “não” feminino é “talvez”.

 

         É aí é que está a maior responsabilidade do Mestre: Ter maturidade para saber distinguir aquela negativa ou dúvida que podem ser superados pela “coação BDSM” ou pelo seu poder de extrair e exigir da escrava as suas vontades, do verdadeiro “não”, que EFETIVAMENTE EXISTE e que deve ser incontestavelmente respeitado. Além disso, o Mestre também tem que ter o cuidado para não exigir da sua escrava algum ato que ela – no calor da sessão - venha a praticar e ate se agradar no momento, mas que lhe deixe seqüelas físicas ou psicológicas inaceitáveis.     

 

         Em suma, a responsabilidade do verdadeiro Mestre é enorme, e nunca deve ser afastada. Muito menos acobertada com o caricaturismo do “eu posso tudo, ela esta aqui só para me servir em tudo que eu queira”. Pois quando a escrava põe nas mãos dele a sua entrega, esta confiando em sua sensibilidade e poder de distinção para extrair dela toda a verdadeira libido, vencer as barreiras e praticar atos inconfessáveis que a mulher do dia a dia se envergonharia, mas que a escrava se orgulha, e que seu Dono mais ainda, espera-se saiba retribuir com o devido valor e respeito.

 

         Em resumo, ao Mestre também cabe não deixar no íntimo de sua escrava alguma fantasia por realizar. Isso iria frustrá-la. Porque, ao se entregar a um Mestre numa relação BDSM, a escrava espera ter toda sua libido aflorada e loucuras realizadas. Espera ter extraída dela toda a sua entrega. E é isso que o Mestre deve conseguir fazer com maestria e ao máximo: Saber exaurir com habilidade cirúrgica tudo o que exista no limite entre o “superável” e o verdadeiro “não”... E para tornar aquele “superável” em mais uma fantasia realizada de sua serva, ele pode usar – na medida e na hora certa – da “saudável coação BDSM”, não é mesmo ? *pisc

 

         Assim, a “coação reprovável e execrável” somente ocorrerá quando o “m”estre, em sua prepotência, descontrole e deixando subir-lhe o poder à cabeça, num ato de total desrespeito e insensibilidade, quiser usar de seu poder para obrigar a escrava a fazer aquilo que realmente lhe é (ainda) inaceitável e insuperável.

 

         Dá trabalho ter esta preocupação e sensibilidade ? Dá ! Muito !! Mas é este trabalho e respeito que distingue um verdadeiro Mestre de um embuste aproveitador, que muitas vezes se esconde atrás da frase “quem manda sou eu, não aceito não como resposta. A escrava é obrigada a fazer tudo o que eu quiser”.

 

         E não imaginem que este acaba por conseguir muito mais da escrava com sua prepotência e intransigência. Muito pelo contrário. Antes de chegar à metade de onde o outro chegaria com sua coerência, cuidado e paciência, já terá causado um asco e revolta tão grandes em sua serva por seu despotismo e desrespeito, que ela já lhe terá devolvido a coleira e – esperamos - estará em busca de um novo Mestre, responsável e sensível como deve ser, e não terá desistido do BDSM diante de uma impressão tão fria e ruim que possa ter ficado depois desta malfadada experiência.

 

                      É a minha opinião.

 

                                             Jot@SM