......... O Primeiro e Maior Romance BDSM Brasileiro .........

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A FALÁCIA DA EXCLUSIVIDADE

 

          Após tanto tempo e experiências, finalmente deixo que meu instinto corajoso (ou suicida) me leve a postar este texto sobre um assunto tão controvertido e perigoso: A exclusividade.

 

          De início quero explicar que uso a palavra “exclusividade”, e não “fidelidade”, porque a meu ver a fidelidade está ligada ao cumprimento de um compromisso firmado anteriormente, como no baunilha, onde é comum os namorados e cônjuges prometerem ser apenas um do outro e assim, um caso extra-conjugal estaria sendo uma “traição” a este compromisso ou “infidelidade” ao prometido.

 

          Porém, se não existe o compromisso imposto do parceiro ser somente seu, onde estaria a infidelidade do mesmo ao ter outra pessoa? O que ele estaria traindo, se nada fora acordado ou prometido? Não estaria ele sendo fiel ao seu direito de ter outra?

 

          Por isso, vejo na palavra exclusividade um termo mais correto ao que se pretende mostrar e discutir. Pois, se um Mestre expressa seu direito de ter mais de uma escrava, ao encoleirar outra está sendo fiel aos seus preceitos e à sua escrava que sabia de antemão desta prerrogativa. Ele não “traiu” nada nem ninguém, apenas não foi exclusivo dela.

 

 

          Continuando, e é importante frisar, não pretendo aqui julgar a relação de ninguém, muito menos impor a relação mais correta. E falo isso na pessoa de quem até hoje carrega o por vezes pesado estigma de “sheik das mil escravas”, mas que já foi também Mestre exclusivo por acordo, por sentimento e por circunstância. Assim, como poderia eu condenar a exclusividade? E mesmo que pudesse, não me vejo no direito de julgar a relação de ninguém. Se uma escrava expõe e o seu Dono aceita tal prerrogativa, isso só diz respeito a eles. Se a escrava tem a exclusividade como característica imprescindível do relacionamento que busca, que encontre e aproveite este relacionamento. Se um Dom aceita ser exclusivo, seja pelo interesse especial naquela escrava, seja como forma de atrativo para obtenção de alguma, é uma opção dele que não o desabona. E, neste caso, que seja FIEL e não TRAIA o que acordou e prometeu.

 

          O que venho neste texto expor e CONDENAR, é a atitude das pessoas de fora da relação que, estas sim, condenam e zombam a escrava que não exige tal exclusividade ou o Mestre que rotulam pejorativamente de mulherengo, canalha e infiel.

 

          Ora, a premissa no baunilha é de exclusividade, imposta pela promessa feita no início da relação ou matrimônio. Assim, subtende-se que os parceiros devem ser FIÉIS a esta promessa, não traindo-a. Já no BDSM, concordemos, a premissa (não a regra que esta não existe) é de LIBERDADE. Os praticantes tem o direito de ter vários parceiros, não se prendendo a dogmas de egoísmo e possessividade que visam primordialmente a segurança da sociedade e da relação familiar.

 

          Digo isso porque o ser humano não tem natureza monogâmica. Não há como contestar isso sem hipocrisia ou se enganando. O que existe é uma enorme pressão social que restringe a espontaneidade sexual dos ditos “comprometidos”, e, claro, o medo de perder a parceira egoísta. Isso também é imposto pela sociedade como forma de defender as relações jurídicas e até economicas oriundas das relações humanas. Assim, se impõe e se aceita a fidelidade à monogamia no meio social e de relacionamento. Porém, quando um homem olha o bumbum da gostosa na rua ou quando a mulher suspira em silêncio pelo galã da novela, a meu ver, já estão “traindo”. Pois para mim, pôr em prática real esta traição é apenas realizar a fantasia que já é “infiel”, ou, principalmente, exercitar a coragem de desobedecer as restrições impositivas da sociedade ou de enfrentar a ira egoísta do parceiro, que, em última instância, são os únicos breques da liberdade: a falsa moral e o medo da perda. Pois como disse e reafirmo, não existe fidelidade instintiva no ser humano.

 

          E não me venham com exemplos que muitas vezes podem denotar, não fidelidade, mas falta de oportunidade. Afinal, coloquem o galã da novela apaixonado e sedento atrás da beata da missa de domingo e vamos ver se ela não terá muito o que confessar na próxima comunhão. *rs

 

 

          Mas vejam, não estou dizendo que alguém ou todas as pessoas no meio BDSM TENHAM QUE SER libertinos. Como disse, cada um escolhe e busca a relação que melhor lhe aprouver e faz as exigências que julgue necessárias.

 

          Como existem namorados e maridos infiéis, cabe também haver os Mestres exclusivos, claro, mas são eles a exceção à premissa, como aqueles primeiros.

 

          Por isso, o que condeno são as pessoas que julgam as outras por aceitarem a mais pura e primordial premissa BDSM, que se baseia na liberdade, e não na exclusividade.

 

          Existem muitos maridos que seguem a premissa de serem fiéis ao compromisso da exclusividade (existe sim). Mas alguém já viu um marido desses ser condenado por nunca ter traído sua esposa? Não seria este uma absurdo semelhante a se condenar um Mestre por ter mais de uma escrava? E já viram alguém zombar uma esposa que tem um marido fiel? Porque zombar a escrava que não tem Mestre exclusivo?

 

          Vejam, uma escrava ao aceitar uma irmã de coleira não está sendo humilhada. Não esta sendo diminuída nem se tornando uma escrava de menor importância. Ao contrário, esta demonstrando sua força e personalidade dentro do BDSM ao agir nele com suas premissas e respeitar o direito de liberdade do seu Dono, sendo superior e segura o suficiente para não se esconder atrás da falsa segurança da exclusividade, mas sim se galgar na força de suas qualidades e na solidez da relação em que se entregou.

 

          Portanto, uma escrava que aceita uma irmã de coleira não esta sendo tola, boba ou frágil, mas sim, forte, superior e segura. E, portanto, não merece pena ou deboche, merece RESPEITO E ADMIRAÇÃO. Pois mostra a personalidade da sua entrega e a segurança que tem em sua relação, em seu Dono e em sua capacidade de servi-lo, mantê-lo e agradá-lo, sempre sendo especial para ele. Pois, afinal, é fácil ser a melhor quando se é a única. Difícil é ser especial sempre.

 

 

          Agora, não rola ciúme????

 

          É claro que sim. Seria ridículo negar ou fingir não ver. O ciúme é um sentimento e, como tal, é incontrolável até pela própria pessoa, sendo portanto inútil o Dono querer impor alguma restrição ao mesmo, pois não há como, por obediência, evitar o ciúme ou qualquer outro sentimento, ainda mais numa relação densa e forte como o BDSM. Porém, o que a escrava pode e deve evitar é a CONSEQÜÊNCIA de atos e conduta oriundos deste ciúme. Ou seja, as exigências que ela possa fazer, o distanciamento de seu Dono, a perca do valor dele, ou voltar-se para a manha de mostrar-se frágil e ressentida, em vez de se empenhar ainda mais para ser a melhor das escravas e assim ter a segurança de ter quantas irmãs de coleira vierem.

 

          E falo “irmãs de coleira”, porque deve haver complementação, parceria e cumplicidade entre as escravas de um mesmo Dom, e não intrigas ou competição entre elas. Isso porque a competição subtende uma busca objetivando um prêmio. E, nesta situação, que prêmio poderia ser esse? A exclusividade? A melhor fica com o Mestre todo? Isso já não foi mostrado e acordado que não existe? Logo, pelo que as escravas vão competir? Para que expelir a outra escrava, se o Dono tem o direito de aceitar outra logo em seguida para substituí-la? Se é assim, seja sincera e converse, sim, sobre exclusividade. A sinceridade e a verdade são a mais forte premissa em qualquer relação, quanto mais na BDSM.

 

          E não venham com o chavão de não querer “dividir a atenção do Mestre” como justificativa para a preocupação com o aceite da segunda escrava. Antes de mais nada é preciso que este Mestre veja se é possível para ele dar a devida atenção e valor ao número de escravas que pretende ter e a forma como vai agir com cada uma delas. Pois, se ter mais uma escrava implica não dar a ela a devida atenção ou fazer faltar de forma comprometedora a alguma que já tenha, cabe a ele reavaliar este quantum, e não deixar que sua vaidade fula de ir além de sua capacidade de possuir comprometa a relação que já possui. Fechar os olhos a isso é querer ver devolvidas todas as coleiras e, o que parecia ser uma multiplicação, acaba sendo uma perda total.

 

          Da mesma forma, ele precisa ver que ter mais de uma escrava não é o paraíso da tranqüilidade e desfrute, ao contrário, esta opção implica em uma grande responsabilidade e sensibilidade de sua parte para conduzir a relação e administrar os sentimentos, as atitudes e as conseqüências de sua opção, bem como apagar os incêndios que sem dúvida surgirão, fruto daquele ciúme que já admitimos, é incontrolável.

 

          Para isso, é preciso dar o devido valor a cada uma das escravas. E portanto não cabe o também falacioso discurso da “hierarquia escravagista”, que confere à “primeira” a superioridade qualitativa inabalável. Já vi muita segundona detonar a primeira prepotente e, se assim não fosse e o organograma da senzala conferisse alguma verdadeira segurança, porque as poderosas primeiras se preocupariam tanto em embarreirar as segundas?

 

          Seria isso a insegurança da escrava que não tem Dono exclusivo? Mas desde quando exclusividade é atestado de segurança e relação eterna? Mesmo que a exclusividade seja sincera e efetiva (e existem muitas), o que impede de amanha o Dono exclusivo conhecer uma outra escrava e, desejando-a, só restar a opção de abandonar a primeira? Isso porque, para essa, já ficou claro que a exclusividade é uma prerrogativa básica da relação e que, sem ela, a relação não existe. É muito difícil conceber ser possível um diálogo para ajustar com ela a partir de então a possibilidade da existência de mais uma escrava, só restando o fim da relação. Isso é o caso mais brutal em que, um elemento da relação se torna mais importante e imprescindível que toda relação. É triste! Viram como o que pareceu tornar a relação mais sólida a tornou mais frágil?

 

          Mas falei acima de exclusividade VERDADEIRA E SINCERA. Mas será que é isso o que predomina em nosso meio? Será que no caso que citei, o Dono exclusivo terá a coragem e honestidade de por a sua relação boa e sólida em risco? Ou irá buscar alguma forma de burlar a vigília da exclusividade, provando ser a mesma uma grande falácia?

 

          Cresce hoje em dia cada vez mais o numero de escravas que exigem exclusividade. Tirando o absurdo de escrava exigir alguma coisa, vejo a exclusividade aí se tornando uma prerrogativa, quando deveria ser ela sempre uma conseqüência. Porém, como disse não cabe julgar a relação e exigências de ninguém. Porém, cabe alertar que o que mais está surgindo desta exigência, não são relação seguras e honestas, mas sim o oportunismo de uma corja de “m”estres que se aproveitam disso para gerar em si algum atrativo ao oferecerem a exclusividade ou de outros em se divertir ao facilmente burlar o prometido e enganar aquelas a quem prometem a exclusividade e chamam de escrava oficial e/ou única, no mais puro e explicito exemplo do BDSM sendo maculado com canalhice.

 

          Vejamos exemplos bem comuns: um Mestre que, não tendo maior experiência ou atrativos, acaba por aceitar a exclusividade como forma de obter uma escrava (aquela que exige de antemão a exclusividade e, por isso não vai se entregar a um Mestre experiente que nunca está sozinho e mesmo que esteja, não aceita tal imposição). No caso desse Mestre, pensemos, porque ele iria impor seu direito a ter mais de uma escrava, se já está difícil arrumar a primeira? *rs. Porém, o que vai acontecer quando este Mestre tiver a oportunidade de arrumar outra escrava? Será que vai honrar seu compromisso?

 

          Outra coisa triste, mas bem comum nas salas, é a chamada exclusividade “de nick”. É o caso de Mestres mais experientes, conhecidos e atrativos que criam outros nicks para ter escravas exclusivas para cada um deles e, é claro, manter a oficial com o nick famoso na qualidade de exclusiva e a sua fama como de bom moço. Tsc.. tsc...

 

          E ainda tem aqueles que, por alguma razão não podendo simular outro nick, tem sua escrava oficial exclusiva exposta a todos, mas também outra(s) pobre(s) incauta(s) que mantém escondida(s) graças ao pomposo discurso de “Você tem antes de mais nada que provar ser merecedora da minha valiosa coleira”. Assim, até lá, a escrava, escondida de todos, vai tendo sessões, servindo ao Mestre e se dedicando ao máximo para obter a almejada coleira e publicidade que, esta na cara, nunca vai conseguir. Não porque não mereça, mas porque a oficial não admite deixar de ser exclusiva e o Mestre quer cultivar sua imagem de fiel e, para isso, vai escondendo a outra escrava mantendo-a num “teste eterno” que pode durar meses e dezenas de sessões, até que a pobre ingênua vê até que ponto esta sendo usada e bota a boca no trombone. Mas aí é só o Mestre dizer que ela é uma louca ou recalcada que não foi aceita por não se comparar à oficial e por isso se revoltou.

 

          Canalhice? Pois é. E sabem porque tanta canalhice? Porque elas são a resposta às desnecessárias exigências baunilhas em nosso meio. Pois, para cada lei, imposição e restrição, sempre surgirá a forma de burlá-las ou superá-las.

 

          Mas nem careço de julgar o comportamento destes Mestres, pois não estou aqui como delator ou protetor das possessivas ludibriadas, mas sim para protestar contra a hipocrisia deslavada quando vejo estes por vezes “ícones do caráter” se juntarem em coro às suas subs “exclusivas” para me condenar ou pejorativamente me intitular de “mulherengo”.

 

          Assim, podem me chamar do que quiserem, podem me condenar e me execrar, mas ainda prefiro a HONESTIDADE de expor o meu Harém. Não passei cinco anos construindo a força de um nick para ter que “azarar” nas salas usando outro. E atesto, minhas escravas são muito mais felizes e seguras que aquelas que as debocham, exaltando a fidelidade do seu parceiro. Pois esta fidelidade existe mesmo ou é um oportunismo de um Mestre que não conseguiu arrumar outra ou oferece exclusividade apenas daquele nick específico?

 

 

          Mas e quanto à escrava? Ela não tem o direito de ter vários Doms? Estamos na lei do “Mestre pode tudo, escrava não pode nada?” O ideal de liberdade se aplica apenas a quem domina?

 

          Esse é o conceito mais imposto pelos Mestres caricatos: “É possível ter varias servas, mas é impossível servir a vários Donos”. “Uma escrava deve fidelidade, o Mestre não”. “Somos superiores, por isso podemos tudo”. Mas não é assim que vejo. Tirando a hipótese do empréstimo, que já afastaria a possessividade ciumenta e egoísta do Dono, é claro que uma escrava pode ter vários Dominadores. Existem as escravas que chamo de “libertinas” (wanabee slave), que tem sessões e servem a diversos Dominadores, às vezes até ao mesmo tempo. E, assim, seriam elas o exemplo do mais “puro e primordial BDSM”, pois também exercitam o seu direito à liberdade e merecem respeito por isso.

 

          Porém, o que ocorre, a meu ver, é que uma escrava pode ter vários Dominadores, mas não consegue ter vários Donos.

 

          Pois é possível se entregar a varias pessoas diferentes. É possível ter sessões com vários Doms até de estilos bem diferentes e ao mesmo tempo. Mas é Impossível pertencer, se entregar cegamente e oferecer a sua submissão e obediência a mais de um DONO.

 

          Isso porque ser Dono subtende-se ter um poder maior sobre a escrava que não somente o da obediência, disciplinamento e uso durante a sessão. Subtende-se dominá-la em limites além da carnal e presente, e, principalmente, em seus sentimentos e em seu interior e mente, o que impossibilita o domínio de outro Mestre.

 

          Vejamos um exemplo tolo, mas eficaz: Uma escrava que se aventure a ter dois Donos e um deles exija que ela seja totalmente depilada e o outro que ela nunca corte seus pelos pubianos. Como obedecer aos dois?  Não seria este um exemplo claro da impossibilidade de se pertencer a dois Donos? (Um dominador de sessão não pode exigir algo como isso que ultrapassa os limites do seu domínio, bem como a wanabee slave tem um direito maior de recusa que a escrava submissa exclusiva não tem).

          Certa vez me responderam com sarcasmo a esta indagação dizendo que bastaria a escrava “usar uma peruca”... O que pareceu à primeira vista uma debochada solução, na verdade só reiterou minha idéia. Porque, se a escrava assim fizesse, estaria pertencendo apenas a UM Dono: O que exigiu a depilação. Para o outro ela estaria sendo falsa e enganado-o, o que é inadmissível a uma escrava.

 

 

          Por fim, escrevi este texto sempre mantendo as figuras do Mestre e da escrava. Por isso, como já ocorreu antes em outros debates sobre o assunto, algumas pessoas podem rotular minhas idéias de “machistas”, no velho e bom dogma do “homem deve, mulher não pode”. Bem, para quem assim julgou, peço que releia o texto sem tal pensamento ou fuga, porque o que ocorre hoje no BDSM é exatamente o contrario. Pois tudo o que escrevi se aplica também a Dommes e escravos, porém, eles nunca precisaram expor tais idéias, porque nunca soube de um sub que exigisse exclusividade ou de uma Rainha que fosse condenada por ter vários escravos.

 

          É a minha opinião.

Jot@SM