Neste mês, nosso entrevistado é Mestre Jot@SM, conhecido e respeitado dentro do meio BDSM. Nós, do Hedoné, gostaríamos de agradecer sua boa vontade e paciência em nos conceder esta entrevista.

       Para conhecer melhor Mestre Jot@ e suas idéias, visitem seu site: http://www.mestrejotasm.com.br

 

 

“Pois como sempre digo, o BDSM é algo de berço e de nossa personalidade nata que precisa apenas ser descoberto, evoluído e praticado.”

 

 

Hedoné: Em primeiro lugar, gostaríamos de saber como se deu a sua iniciação no BDSM e há quanto tempo é praticante.

Jot@SM: Gostaria, antes de mais nada, de agradecer o convite para esta entrevista e parabenizá-los mais uma vez pela seriedade e firmeza com que desenvolvem este belo, admirável, necessário e sincero trabalho em prol da divulgação e desmitificação do BDSM.

Minha iniciação real se deu em 1980, quando eu tinha apenas 17 anos. Foi com uma namorada “firme” de igual idade. Já namorávamos há quase um ano e eu a convenci de experimentar aqueles fetiches e fantasias que tanto me fascinavam. Pois aos 13 anos já havia lido História de O e desde então comprava e colecionava tudo o que pudesse encontrar sobre BDSM (que era bastante escasso, face à censura imposta pelo regime militar), mas mesmo antes disso, já aos sete anos, lembro sempre, me fascinava em ver filmes e novelas onde aparecesse alguma cena de SM, demonstrando já na tenra idade o meu dom natural. Pois como sempre digo, o BDSM é algo de berço e de nossa personalidade nata que precisa apenas ser descoberto, evoluído e praticado.

Minhas sessões com aquela minha primeira escrava foram sem dúvida uma transa apimentada e um complemento de um namoro, mas posso dizer que chegamos a fazer bastante e variadas cenas e o BDSM se tornou bem constante em nossos momentos íntimos, o que nos propiciou evoluir bastante nele. Não mantive contato com ela posteriormente, portanto, não posso dizer se ela continuou praticante, mas acredito que sim. :-).

 

Hedoné: Como o Senhor vê o relacionamento D/s 24x7? Já teve algum?

Jot@SM: Se tivesse que responder simplistamente, diria que “NÃO, não mantenho nem nunca mantive nenhuma relação BDSM 24/7”. O problema é que – como acontece com diversos termos em BDSM – O “24/7” também leva a diversas interpretações e confusões e, por isso, foi bom vocês terem perguntado também a minha visão dele.

Se digo que nunca tive uma relação BDSM 24/7, é porque a visão que tenho dele é grandiloqüente. Vejo-o como uma relação intensa onde a sessão se prolonga por todo o tempo sem interrupções. A escrava colocaria sua submissão e dedicação integral e inconteste acima de qualquer coisa (cabendo ao Dono respeitar suas obrigações familiares e de trabalho). O controle seria total – como na sessão – com rituais, obediência e restrições amplas nos mínimos detalhes e atitudes, inclusive à distância. Em suma, uma relação rígida que se prolongue sem interrupções ou abrandamento.

Acredito que alguns casais já tentaram e tiveram sucesso neste tipo de relação, mas sei que esta visão e conduta não é a tida, muito menos a praticada, pela maioria que se intitula orgulhosamente 24/7. Por isso, ao responder que “não sou 24/7” eu posso ter minha resposta e meu estilo injustamente mau interpretados.

Por diversas vezes perguntei sem sucesso a alguns ditos praticantes “O que é 24/7?”. Ouvi muita poesia e evasivas e das poucas vezes que me responderam com objetividade, me assustei com a diversidade e fraqueza de interpretações.

Além dos que compartilham minha visão, vejo que, para alguns, o 24/7 seria apenas a escrava não deixar de ser escrava de um Mestre específico após a sessão, mantendo sua convicção na entrega a seu Dono e o seu respeito durante todo o tempo. Ou seja, sua entrega não estaria restrita aos meandros da sessão, mas se manteria também fora dela, só que não da forma rígida como citei (rigidez essa que seria aplicada apenas nas sessões ou em alguns momentos especiais) e seria representada apenas pela convicção e fidelidade da escrava em seu Dono. Assim, existiriam as escravas libertinas e as 24/7.

Por este prisma, me julgo 48/14, pois não sou “Mestre de sessão”, uma vez que exijo ser, além do Dominador e Sádico de todas as minhas escravas, também seu Mestre e, principalmente, seu Dono todo tempo. Só que sem a rigidez e disciplina constante do 24/7 que preconizo.

Também vejo pessoas definirem o 24/7 simplesmente como um casal que se conheceu no BDSM e namoram firme ou moram juntos (não seria meu caso, pois sou casado e como faço sessões no horário de trabalho, estaria mais para 8/5 que 24/7 *RR). Mas será que nesta opção eles levam o BDSM 24hs por dia 7 dias por semana ou são simplesmente namorados que se conheceram através do BDSM e o praticam em algumas ocasiões? Se for assim, é “relação 24/7 com BDSM 8/3 + namoro 16/4”, não BDSM 24/7, não é mesmo? *rs

Outra definição que vejo, em especial para o BDSM 24/7 com ênfase no D/s e pouco ou nenhum S&M, simplesmente remonta e se restringe a um casamento à moda antiga, nos moldes machistas onde a mulher é submissa – mesmo tendo profissão e trabalho – e presta total obediência, serviência e dependência a seu marido.. ops... Dono.

E mesmo nestes casos, pode haver o S&M como castigo, uma vez que nos casamentos que citei, ainda tão comuns, a esposa Amélia se sujeita e acoberta o espancamento sem qualquer queixa, pois julga este um direito de seu marido ou uma vergonha para sua família.

Também vejo em alguns destes casos, a rotulação destas relações como BDSM tão somente para que o “Dominador” tenha um direito à infidelidade não extensivo à sua parceira.

Se tão somente isto é 24/7, o “escrava e BDSM” seriam apenas uma desculpa para uma volta aos moldes matrimoniais machistas infiéis com um toque de modernidade fashion. Mais honesto e sincero – a meu ver – é praticá-lo com baunilhas, como sempre foi.

Em suma, mantenho minha convicção na negativa, pois respondo vendo o 24/7 pelo prisma que falei. Mas fiz questão de dar esta resposta completa, para não ser chamado de forma vil como “Mestre Sádico de sessão” por aqueles que interpretam o 24/7 de uma forma menos grandiosa.

 

 

“Era! Hj. este sonho se realizou. É a Internet. Que pode ter todos os defeitos, mas que para o BDSM, pelo menos no Brasil, foi um marco.”

 

 

Hedoné: A influência da Internet tem sido ponto de discordância costumeiro entre as pessoas. Alguns acreditam que ela traga mais benefícios que prejuízos aos relacionamentos e outros pensam exatamente o contrário. Como o Senhor entende essa influência? Benéfica ou prejudicial?

Jot@SM: Como disse, já buscava materiais BDSM desde 1976, me iniciei em 1980 e só descobri a Internet em 1998.

De 1980 até 1998, encontrar uma parceira era uma tarefa árdua. Os anúncios em revistas eram improdutivos, tentar convencer namoradas punha em risco toda a relação e até mesmo profissionais não atendiam como escravas, só como Dommes (como até hj, certamente por questão de segurança).

Mas a dificuldade não era só essa. Não havia com quem se falar sobre o assunto, trocar idéias, discutir ou descobrir não ser o único doido a ter esta fantasia. Me lembro que meu melhor amigo me execrava chamando-me de maluco pervertido por assumir-me Dominador Sádico.

Assim, quem não viveu a angústia e dificuldades de ser BDSM naquela época, não sabe o sonho utópico e ansiado que era um local onde pudéssemos conversar com outras pessoas adeptas, aprendendo mais ao trocar e expor idéias. Um local onde ainda encontraríamos parceiras para nossas fantasias. Não namoradas que se tornariam escravas após exaustivo convencimento, mas escravas de verdade para uma relação BDSM pura de onde – em sentido contrário – poderia até nascer sentimentos e relacionamentos baunilha. Imaginar que este local ainda propiciaria encontros, grupos, plays partys e até sólidas e sinceras amizades com a cumplicidade da mesma fantasia presente nas pessoas... Isso era uma utopia...

Era! Hj. este sonho se realizou. É a Internet. Que pode ter todos os defeitos, mas que para o BDSM, pelo menos no Brasil, foi um marco.

E que defeitos podem ser atribuídos à Internet? Os aliens? Melhor aliens no nosso meio que ser alien no meio deles como fui por décadas. O mau-caratismo? Intrigas? Guerra de Vaidades? Falsidade? Desonestidade?... Humm.. Vai adiantar desligar o micro para se livrar destas coisas? Ou será que elas existem em muito maior intensidade fora da Internet, por serem defeitos, não da Web, mas dos seres humanos?

Antes que me esqueça, sabe aquele meu melhor amigo? Graças às facilidades e informação da Internet, acredite, ele é hj um Mestre real relativamente conhecido no meio... Sutilezas do destino ou será que BDSM é contagioso? *risos

 

 

“Porque ao contrario do que possa parecer a um iniciante, uma escrava está longe de ser uma mulherfácil”. Mesmo para um Mestre experiente é muuito, mas muuito difícil conhecer, conquistar e manter uma “E”scrava que, sem dúvida, é mulher para poucos. Talvez por isso muitos saiam decepcionados do BDSM. Porque julgavam que nele iam encontrar sexo rápido, depravado e fácil.... Um ledo engano.”

 

  

Hedoné: Dada a sua experiência no meio BDSM virtual e real, que conselhos daria para uma pessoa que estivesse iniciando? O que evitar? Como proceder? Onde buscar informações? Etc.

Jot@SM: Meu conselho é básico: “estude TUDO o que puder sobre BDSM”. Busque textos, relatos, contos, livros, vídeos, etc. Converse com o maior numero de pessoas possível sobre o assunto que acredite experientes (maioria não vai ter interesse nem tempo, mas não desista e tb. não seja pentelho *rs). Evite se intitular de qualquer coisa antes de ter um conhecimento mínimo de BDSM, porque somente com o estudo é que poderá saber se és Top ou Bottom, o seu estilo e intensidade ou até mesmo descobrir que BDSM não tem nada a ver contigo. 

Prosseguindo, não se atenha a apenas uma opinião. Existem diversos estilos e cada um dirá que o seu é o mais correto. E é, mas para cada Mestre e suas respectivas escravas. Mas lembre-se que, fora o SSC (...& honesto) não existe uma verdade universal para o BDSM, não existe “O” correto ou melhor. Existe sim, uma infinidade de estilos e, portanto, é importante que o iniciante conheça o maior numero possível deles para finalmente descobrir “o seu”.

Descoberto... No caso dos Dominadores, desenvolva-o... Apare as arestas, não seja apenas um pupilo de quem se espelhou. O BDSM não é teatro como dirão alguns. Por isso o ideal é que numa sessão vc. não interprete um personagem, mas sim, seja VOCE MESMO. Ou melhor, seja o Mestre Dominador que vc descobriu dentro de vc. E, porque não fazer até dominação virtual, na tentativa de se conhecer e aprimorar antes de partir para o real?

Para as submissas nesta fase eu diria: Descoberto seu estilo, trace o estilo daquele que virá a ser seu Dono, e busque-o. Não só incansavelmente, mas “intransigentemente”. Não aceite qualquer um. Joeire sempre e não tenha pressa. Sua submissão e entrega são tesouros que devem e serão valorizados por aquele que merecer ser seu Dono e a quem vc deverá saber agradar e honrar a coleira.

Se acharam o caminho a traçar muito longo, trabalhoso e demorado, lembrem-se que os frutos são proporcionais ao sacrifício.

Porque ao contrario do que possa parecer a um iniciante, uma escrava está longe de ser uma mulher “fácil”. Mesmo para um Mestre experiente é muuito, mas muuito difícil conhecer, conquistar e manter uma “Escrava que, sem dúvida, é mulher para poucos. Talvez por isso muitos saiam decepcionados do BDSM. Porque julgavam que nele iam encontrar sexo rápido, depravado e fácil.... Um ledo engano.

Da mesma forma, dizem que encontrar um Mestre de verdade já é uma tarefa difícil, conquistar sua coleira, pior ainda... Portanto, não abra muito o leque de exigências querendo que ele esteja alone à sua espera, prometa exclusividade imediata e no pacote da coleira ainda venha o namorado, noivo, marido e príncipe encantado com a cara do Brad Pitt e a conta bancária do Bill Gates.

Mas não desanime. Sua cara metade no BDSM existe. Mas antes de querer conquistar a sua escrava ou Mestre dos sonhos, trabalhe para ser também o verdadeiro Dominador e a verdadeira escrava do sonho deles.

 

 

“A sanidade e a segurança são inalienáveis no BDSM, a consensualidade e consentimento da escrava não permite que ela abra mão destas outras duas premissas.

Da mesma forma, não nos cabe condenar qualquer ato ou cena que esteja dentro do SSC, mesmo que para nossos limites e gostos pessoais ela possa parecer absurda.

 

 

Hedoné: Para o Senhor, qual a importância da famosa tríade: são, seguro e consensual?

Jot@SM: A Tríade, para a qual sugeri a inclusão da “Honestidade” (http://www.mestre...@@/), tem uma importância ímpar como divisor entre o certo e o errado, o aceitável e o inadmissível, o louvável e o condenável no BDSM.

Numa fantasia onde as cenas na prática podem ter o céu como limite, o SSC é imprescindível como método de avaliação da correição dos atos praticados, sem que tal julgamento seja subjetivo (baseado no gosto, limites, preconceito ou medos pessoais) ou cético (ao se responder sempre com a máxima de “se foi consensual e consentido, tudo bem” ou “eu não faria, mas se eles quiseram e acordaram, não me cabe condenar”).

Discordo. Cabe condenar sim! Se o ato, mesmo que praticado com consensualidade extrapolar as demais premissas da tríade, há que ser considerado errado, inadmissível e absurdo no BDSM. A sanidade e a segurança são inalienáveis no BDSM, a consensualidade e consentimento da escrava não permite que ela abra mão destas outras duas premissas.

Da mesma forma, não nos cabe condenar qualquer ato ou cena que esteja dentro do SSC, mesmo que para nossos limites e gostos pessoais ela possa parecer absurda. E mostro um exemplo: Se eu expuser três cenas diversas:

1.      O Dono marcar sua escrava a ferro quente;

2.      Spanking com chicote;

3.      A escrava lamber a sola dos pés do Mestre.

De imediato, e sem usarmos o SSC, a maioria das pessoas irá julgar o ato 1 um absurdo exagerado, o 2 aceitável conforme consenso e o 3 aceitável sem questionar...

E se eu disser que é exatamente o contrário?

A marca a ferro quente pode ser limite para 99% dos praticantes, parecer absurdo, inaceitável e condenável para a grande maioria, mas se além de ser do consenso do casal, ela for feita com todos os cuidados de higiene e evitando complicações de saúde para a escrava e, principalmente, se for feita por pessoas maduras, numa decisão séria e estudada e por um casal com a segurança de um relacionamento sincero, sólido e permanente, a quem cabe condenar a prática? Podemos dizer que não faríamos, mas não nos cabe condenar nem muito menos tentar dissuadir quem o faça ou queira fazer, ao contrário, cabe-nos louvar e admirar uma atitude tão grandiosa em nossa fantasia.

E a cena 2? Chicoteamento pode parecer básico no BDSM, mas para muitos ainda é um medo ou limite. Portanto, a resposta imediata seria “depende de cada um, se o Mestre gosta e a escrava aceita, tudo bem”. Concordo, mas tb. não é só por aí... Um spanking pode ser básico ou condenável... E o condenável não virá da sua intensidade ou dos resultados em marcas que tiver. Virá do seu respeito, mais uma vez não só do consensual, mas principalmente do são e do seguro.

Como exemplo, se o Mestre chicoteia sua escrava masoquista (que adooora a dor), respeitando seus limites, mas não o faz por prazer ou disciplinamento, mas para – de alguma forma – expelir um mal humor ou recalques que esteja naquele momento, aquele spanking torna-se execrável, pois o Mestre está fora de si e tb.do sentido do BDSM e da cena.

Quanto às marcas, cada escrava tem seu limite, determinado não só pela sua resistência à dor, mas principalmente pelas suas conseqüências. Uma escrava pode ser ultra-resistente à dor e sentir imenso prazer nela, mas vários podem ser os motivos que a impeçam de ser marcada (mesmo que se orgulhe das marcas), seja por seu estado civil, por questões profissionais ou mesmo por restrições físicas ou de saúde. Assim, mesmo com consenso e prazer, o spanking nunca deve extrapolar a sanidade e a segurança que a escrava espera na sua entrega e o Mestre é obrigado a zelar na relação. É isso que tornará a cena e seus resultados corretos ou não: o respeito ao SSC e não a intensidade ou a prática em si.

Por fim, a cena 3, a priori, nem teria como ser questionada, não é mesmo? Não tem nem como excluí-la do consensual, porque uma escrava que se negue a fazê-la é fresca, arredia e manhosa demais para ser escrava, não é? Então, sem o SSC, de imediato poderíamos estar admitindo uma prática “absurda” sem querer, pois, imagine-se que o pé do Mestre esteja IMUNDO após chegar da rua onde andou descalço por horas?...

Menos condenável e aceitável a marca a ferro quente acima, não é mesmo?

 

 

“Em resumo, safeword e superação dos limites depende de sensibilidade do Mestre e de maturidade e dedicação da escrava, mas, principalmente, da paciência e cumplicidade que surge gradativamente da confiança e segurança. Pois sem coações, agressões ou cobranças, os falsos limites iniciais vão sendo aos poucos superados ou reduzidos, pois isso pode ser um capricho do Mestre, mas é, principalmente, o orgulho da escrava.”

 

  

Hedoné: Qual a sua opinião sobre os polêmicos temas: “uso da safeword” e “expansão dos limites”?

Jot@SM: Como estamos numa entrevista, vou responder essa sua pergunta narrando uma experiência pessoal.

Era a primeira sessão daquela escrava. Mais especificamente, seu primeiro chicoteamento. Eu a prendi firmemente em X, de frente para um enorme espelho, e comecei o spanking, utilizando o meu chicote mais Light: o de curtas tiras DE CAMURÇA (dá para imaginar, não? Faz mais carinho que dor).

Uma chibatada, duas... e não me lembro se antes ou depois da terceira, ouço dela um sonoro e apavorado “Pára J!”...

Minha safeword é “clemência”, e ainda libero “piedade” para que a escrava diga esta palavra livremente, sem que eu dê ouvidos. Assim, aquela frase proferida por ela, poderia até ser ignorada, não é mesmo ? Mas que me lembre, ela foi dita em português e seu significado e o olhar dela não deixavam dúvidas quanto à sua conotação. E por isso, só pude interpretá-la como uma safeword.

Parei imediatamente o spanking. Não consigo aceitar um Mestre que desconsidere a safeword. Para mim, ela é taxativa e inalienável. Encare-a como encarar, tenha a reação posterior que tiver, a parada para mim é inquestionável.

Então, após interromper a cena, eu poderia, como muitos fariam, demonstrar meu desagrado. Poderia ter reclamado do uso da palavra errada. Poderia ter demonstrado até minha decepção, pois era inaceitável que uma pretensa escrava não suportasse um chicote tão light (e aí estava o X da questão, verão ao final). Poderia ter debochado dela chamando-a de frouxa. Humilhando-a ao mostrá-la incompetente como escrava.

Poderia ter – como muitos Mestres mais rígidos – vestido minha roupa e ido embora, ou – como outros menos convictos no BDSM –  ter “pedido desculpas” e sugerido que continuássemos num ameno baunilhinha (Muitos fazem isso... Perdem a escrava, mas não perdem a transadinha... Triste, mas contumaz, infelizmente).

Poderia até mesmo ter continuado o spanking até que ela proferisse a palavra correta. Mas isso, a meu ver, passaria a ser uma agressão, que nada tem a ver com BDSM. Pois ela não disse aquelas palavras como “falsa manha” para apimentar a cena, hipótese em que caberia assim continuar.

Pois bem... Não fiz nada disso.

Me calei e fitei seus olhos sem reprovação ou rancor, mas com a firmeza que cabia à minha autoridade. Ela abaixou o olhar em sinal de resignação, demonstrando que a safeword era somente para o spanking e não para toda a sessão.

Soltei-a sem agressividade, sem proferir nenhuma palavra e continuei a sessão como se nada tivesse acontecido, me desviando para outras cenas e formas de torturas e deixando de lado os chicotes.

Nas cenas seguintes ela chegaria até mesmo a experimentar com firmeza a cera quente de vela de sete dias sobre todo seu corpo, demonstrando sua resistência e prazer com a dor.

Alguns Mestres podem dizer que a escrava me “controlou” ... Discordo. Não era ela que estava controlando, mas a minha sensibilidade e o cuidado que devo ter numa primeira sessão, levando em consideração a inexperiência e a surpresa da mulher que ali descobre o real BDSM.

Costumo dizer, sem qualquer vergonha ou falsa vaidade e deixando de lado a prepotência que só atrapalha o BDSM, que a primeira sessão É DA ESCRAVA. Isso mesmo. Naquele primeiro contato real me preocupo apenas com ela. Na sua descoberta da nossa fantasia da forma mais prazerosa e sem traumas, pois meu objetivo ali é descobrir seus limites, estilos, anseios, etc. Pois não domino para uma sessão apenas. Uma primeira sessão para mim é apenas uma “primeira” sessão. E por isso posso dedicá-la integralmente à nova serva, em prol de (muitas) sessões posteriores bem mais completas, seguras e  prazerosas para ambos.

Mas voltando àquele dia...

Continuada a sessão e passado algum tempo, aquela minha escrava, visivelmente envergonhada, me pediu perdão pelo que havia acontecido e ela mesma, por iniciativa própria, apanhou o chicote e o entregou em minhas mãos, implorando uma nova tentativa.

Assim aconteceu. E desta vez ela não só suportou e se agradou da dor, como também, após poucos açoites, demonstrou com o olhar o seu deboche por aquele chicote tão fraquinho, quando então experimentou um bem mais hard, que eu adoooro: um flog de couro preto que deixa lindas marcas...

Pois bem, o que havia acontecido então?

Um susto! Exatamente. Ela “se assustou” e apenas isso. E, desesperada, proferiu aquelas palavras. Era sua primeira sessão e imagino o que pode significar para uma mulher assistir pelo espelho seu primeiro chicoteamento, ouvir o estalo do chicote queimando sua pele e ver-se indefesa e frágil, sem saber até onde aquilo tudo chegaria.

Eu não havia extrapolado seu limite de dor, e nem poderia com aquele chicote, eu sabia. Mas ela apenas havia pedido um tempo para respirar, recobrar as forças e a convicção, e principalmente, se sentir mais segura e confiante em minhas mãos.

E foi essa confiança e segurança, que se multiplicou com minha atitude e a nossa firmeza em manter o BDSM mesmo após aquele deslize, que criou entre nós uma forte cumplicidade que propiciou a ela, posteriormente, superar seus limites, oficializar uma entrega total, experimentar diversos tipos de tortura, dor e humilhação, vir a sentir na pele o suplício do pior cane (a vara de rattan), vindo a ficar marcada por dias e chegar a sentir até mesmo a dor insana do meu pior chicote, sem piedade, numa das partes mais sensíveis de seu corpo... E, ao final, orgulhosa, agradecer.

Dá para ver a “E"scrava que o BDSM como um todo e aqueles Mestres em especial que baunilham, recriminam, debocham ou vestem a roupa e vão embora, teriam perdido?

Em resumo, safeword e superação dos limites depende de sensibilidade do Mestre e de maturidade e dedicação da escrava, mas, principalmente, da paciência e cumplicidade que surge gradativamente da confiança e segurança. Pois sem coações, agressões ou cobranças, os falsos limites iniciais vão sendo aos poucos superados ou reduzidos, pois isso pode ser um capricho do Mestre, mas é, principalmente, o orgulho da escrava.

 

Hedoné: É comum no meio BDSM a exaltação das qualidades da mulher submissa e do homem dominador. Ao mesmo tempo, percebemos um certo desdém pela figura do homem submisso e da mulher dominadora. Qual a sua visão sobre essa diferenciação?

Jot@SM: Não faço tal distinção. Muito pelo contrário. Admiro a força da personalidade de uma submissa, porque não admiraria a do submisso também  Costumo dizer que teria muito orgulho de ser sub., quem não teria orgulho seria a minha Rainha, pois teria um sub embuste horroroso. *rs

Da mesma forma, como posso condenar uma mulher que se agrade de fazer as mesmas coisas que eu e quê se dedique à árdua e trabalhosa tarefa de dominar? *rs

Brincadeiras à parte, será que quem faz a diferenciação são aqueles que vêem os Mestres e os homens como superiores e as escravas e as mulheres (à exceção da mãe, da esposa, da(s) filha(s) e daquela gostosona do ginásio que nunca conseguiram comer) como ser inferior? Talvez por isso julguem os submissos uma aberração e as Dommes uma incômoda exceção para suas convicções e por isso mesmo tenham que chamá-las de frígidas ou machonas, pois desta forma desvencilhariam-na da mulher feminina (esta, sempre inferior) e manteriam sua equivocada e caricata imagem do sexo oposto (...às vezes nem o oposto).

Bem.... Como para mim as mulheres são grandiosas, seja no empunho do chicote (em direção ao lombo de outro, viu? *rs) ou ainda mais (desculpem o “ainda mais”, mas é minha opinião, claro *rs) quando ajoelhadas aos pés do seu Dono. Só posso ver com a mesma grandeza, beleza e respeito a dominação masculina e a feminina praticada com honestidade.

 

 

“O que é indispensável a uma escrava, é a sua honestidade. Que ela seja escrava mesmo, descubra seu dom e faça o BDSM pelo BDSM e não por outros motivos escusos. Que seja exigente na escolha do Mestre, para que ela seja a escrava ideal dele, mas ele tb o seu Mestre ideal.”

 

  

Hedoné: Na condição de Mestre, o que o Senhor considera indispensável numa submissa? Existe uma submissa ideal?

Jot@SM: É obvio que cada Mestre tem sua escrava ideal. A do Mestre sádico é a masoquista, a do Dominador a submissa, a do Bondagista a que se agrade desta prática e por aí vai...

O que é indispensável a uma escrava, é a sua honestidade. Que ela seja escrava mesmo, descubra seu dom e faça o BDSM pelo BDSM e não por outros motivos escusos. Que seja exigente na escolha do Mestre, para que ela seja a escrava ideal dele, mas ele tb o seu Mestre ideal.

Quanto a mim, pelo meu estilo, meu jeito de dominar, minhas preferências, experiência e visão do BDSM, tenho hoje como protótipo da escrava ideal, a escrava ORGULHOSA.

Quando falo “orgulhosa”, não falo da escrava manhosa, com vontades ou prepotente/rebelde. Falo daquela que tem orgulho de estar sendo escrava e tentando ser a melhor. Aquela que não é nem se sente inferior por sê-la, muito pelo contrário. Ela sabe o valor da sua entrega e o poder da sua personalidade. É uma escrava que leva uma forte bofetada sem virar o rosto e ainda olha para o Mestre, sem manhas ou rancores, pronta a receber a próxima. É a escrava que obedece às ordens à distância do Dono, mesmo que ele não possa confirmá-las, pois sua submissão é seu deleite tb. É a escrava que apanha sem chorar, ou que chora quietinha, pois tem orgulho em suportar a dor para prazer de seu Dono e não quer atrapalhar este momento com seu choro ou com suas súplicas inúteis. É a escrava que gosta não só de praticar, mas também de estudar e debater o BDSM, visando sempre evoluir. É a escrava que desmaia de dor para não pedir a safeword que lhe foi concedida à poucos instantes, só porque sabe que sua dor esta sendo deleite para seu Dono e não quer parar de ter esta dedicação. É a escrava que em casa namora suas marcas no espelho. É a escrava que foi descoberta extraída e lapidada pelo seu Mestre, mas que também o lapida a cada instante, pois sabe tb. extrair dele o caráter, a seriedade, a honra e a dignidade que lhe cabe. É a escrava que não quer se estagnar na mesmice e mediocridade a que leva à covardia de superar limites, mas sim, quer sempre ir além de suas próprias limitações. Não por imposição, mas por vaidade. Que põe o chicote na mão do Dono quando ele em seus carinhos acaba por esquecer um pouco do açoite. É a escrava que além de escrava, sabe ser tb amiga, como do Mestre merece e tem toda a amizade. É a escrava que nos encontros, sem seu Dono, olha com firmeza nos olhos de quem a deboche, batendo forte sobre o J da coleira que porta orgulhosa. É a escrava que deve respeito aos demais Mestres sim, mas nunca obediência ou subjulgo. Porque esta é uma escrava para poucos. Uma escrava que faz o Mestre caricato perder suas convicções ou usar a desculpa de que ela é prepotente para justificar sua fraqueza, e que faz os mestrelhecos caírem de quatro aos seus pés. Mas não só eles. Pois ela é uma escrava que cultiva a admiração e o respeito até do mais frio e seco Dominador, não com sua beleza, mas com seu jeito sincero e ORGULHOSO de ser “Escrava.

Esta é a minha escrava ideal. A escrava que me faz sentir “Mestre por tê-la. Porque ela não é inferior, muito pelo contrário... sua superioridade é que me deixa mais superior ainda, pois ela põe toda sua PODEROSA SUBMISSÃO aos meus pés.

 

 

 

“E quem disse que a escrava não pode ter vários Dominadores? Claro que pode. Estão se esquecendo da escrava libertina? O que uma escrava submissa não consegue é ter vários DONOS, isso sim. Pois sua escolha no BDSM é de entrega total a um Mestre escolhido a dedo e a exclusividade é ela que dá, não o Mestre que impõe.”

 

 

Hedoné: Como o Senhor avalia o desenvolvimento do BDSM no Brasil? Como o Senhor vê situação atual e quais as perspectivas do BDSM para o futuro?

Jot@SM: Após a Internet, o desenvolvimento foi grande, como já disse. Porém, eu diria que a situação atual é importante e “suigeneris”, pois está havendo um “fenômeno” no BDSM brasileiro que deixa uma dúvida quanto às perspectivas para o futuro: É a “baunilhização” do BDSM.

Graças aos grupos de amizades, aos encontros e às facilidades, intrigas e hipocrisias dos chats, estão sendo inseridos no BDSM dogmas, premissas, comportamentos e exigências puramente baunilhas que muitas vezes se chocam contra os legítimos ideais BDSM.

Não falo apenas dos desonestos (pretensas escravas que usam o BDSM para caçar marido/namorado e “mestres que querem somente uma transa fácil). Falo de escravas de verdade (e até com Dono) que passam o tempo TODO de tricotagem banal no aberto da sala, enquanto escravas curiosas e iniciantes dariam tudo para poder conversar, aprender e tirar dúvidas com elas SOBRE BDSM.

Não só escravas perdem todo seu tempo com “conversês”, mas tb. Dommes, Mestres e submissos, e não só nos chats, mas também nas listas “DE BDSM” onde se fala dos mais diversos assuntos, menos de BDSM. E quando queremos postar um texto de BDSM quase temos que pedir licença e – se nos aventuramos – maioria das vezes somos ignorados em prol de textos off-topic ou então – pior – nós e nosso texto somos atacados a tacapadas por pessoas que visivelmente querem apenas expor seu ego, tumultuar, aparecer ou nos intimidar. E assim, o assunto, em vez de ser saudável e proveitosamente discutido, acaba gerando uma praça de guerra e tendo que ser posto de lado, pois as agressões seguintes tomam maior relevância que o conteúdo do texto original... As ofensas encerram o debate... E aí, continuam os textos baunilha a proliferarem, por não causarem tais problemas.

Nada contra bons papos, ainda mais nos encontros, em meio aos chopes e para descontrair o ambiente também dos chats. Pois no BDSM há muita amizade e não o vejo como algo soturno, mas sim, alegre. Porém, ficar SÓ de ti-ti-ti é que não dá. O BDSM esta nascendo ainda no Brasil, é preciso divulgação, desmitificação, evolução, aprendizado. Que algum tempo dos ti-ti-tis seja destinado a isso, pelo menos.

E as frases que ando ouvindo, como p.ex. “EXIJO que meu Mestre seja SÓ MEU” ?... É surreal ver uma escrava numa mesma frase ser “autoritária, exigente e possessiva”... Isso é uma aberração.

Falo de escravas que exigem como prerrogativa de sua entrega a exclusividade do Mestre. Isso é um direito delas, aceita o Mestre se quiser. O problema, é que não faltam Mestres que aceitem. Porque esta é outra triste degradação que vejo no BDSM: Mestres cortejando as escravas como gatinhas princesas, quase ajoelhando aos seus pés para que dêem “uma chance” de conceder-lhes o pescoço para suas coleiras em liquidação. ... Ora... caso alguma incauta aceite tal proposta, que moral este Mestre vai ter na hora da sessão se ele foi o primeiro a se ajoelhar ?

São as escravas que buscam, procuram e cortejam o Mestre. A este cabe mostrar-lhes seu estilo (que elas buscam) e conhecendo a escrava e se agradando dela, aceitá-la como sua e concedê-la a honra de portar sua coleira. Essa é a ordem natural que tb. está sendo denegrida pelo desespero de Mestres encalhados em face do crescente grau de exigência das escravas, não com o BDSM, mas com baunilhices.

Mas cada um age da sua forma. O pior e mais inaceitável problema não é o que cada um faz, mas sim, o que exige e condena dos outros e do BDSM como um todo. Falo das que se jogam sobre as amigas que legitimamente aceitam uma irmã de coleira, zombando-as, condenando-as, dissuadindo-as e esquecendo-se que a premissa do BDSM é de liberdade e dação ao Mestre e não de exclusividade e possessividade da sub. Portanto, aquelas escravas atacadas agem sob a premissa legítima do BDSM e merecem admiração, não críticas ou dissuasões, mesmo de quem pensa e age diferente. Pois afinal, estamos num MEIO BDSM e devemos julgar os outros com base nos pensamentos deste meio, não acham? Alguém já viu um marido ser execrado e condenado no baunilha por ser fiel? Seria a mesma coisa. No BDSM, a premissa é de liberdade. A exclusividade é que é a exceção. Mesmo assim, se condena quem segue a premissa.

Seria isso os praticantes baunilhizados condenando os praticantes puros? O preconceito chegando no nosso próprio meio? ... Preconceito ou hipocrisia?

E aqueles que acham que o Mestre casado tem que se separar? Porque? Nem sabem como é a relação matrimonial dele e lançam esta imposição. Muito menos sabem se ele e suas escravas vivem uma relação BDSM plena, prazerosa e completa para eles, sem que o Mestre precise ser separado. Ora... Nem todos são 24/7. Nem todos querem viver o BDSM todo tempo. Nem todos querem junta-lo/misturá-lo com namoro ou matrimônio, e, principalmente, nem todos querem estar solteiros e disponíveis, não para ser Mestre, mas visivelmente para aumentar o mercado de homens disponíveis para namoro e matrimônio... Pois o Mestre ser casado frustra quem usa o BDSM para caçar namorado e marido, não quem quer ter uma relação BDSM honesta e plena, o que é possível se for isto o que a escrava busca honestamente.

E quem chama de machismo quando o Mestre pode ter varias escravas e a escrava é só de um Mestre? Não é Machismo, pois o mesmo ocorre entre as Rainhas e os escravos, todos se esquecem.

E quem disse que a escrava não pode ter vários Dominadores? Claro que pode. Estão se esquecendo da escrava libertina? O que uma escrava submissa não consegue é ter vários DONOS, isso sim. Pois sua escolha no BDSM é de entrega total a um Mestre escolhido a dedo e a exclusividade é ela que dá, não o Mestre que impõe.

E não me venham falar de ciúme, egoísmo e possessividade do Mestre. Pois se assim fosse, onde entraria a prática do empréstimo e exposição de escravas?

Do jeito que as coisas estão, só está faltando ouvir no aberto da sala uma frase do tipo: “Quem vc pensa que é para me bater, meu Mestre?”  *RRR Mas já devem ter dito ou estão para dizer.

Mas vejam... pode parecer que contesto apenas por ser tal baunilhização contra mim, BDSM puro e casado. Mas não é. É contra – principalmente - quem a preconiza. E sabem porque ?

Porque junto com as exigências baunilhas, vem tb. em contrapartida toda a canalhice baunilha. Todas as histórias que vejo sobre cafajestada e falta de caráter de algum Mestre, está na maioria das vezes ligada aos dogmas baunilhas impostos no BDSM. Exigir exclusividade não dá segurança nem é atestado de eternidade, pois não há como coibir que o Mestre conheça outras escravas, ao contrário das escravas, dos quais os Mestres honrados respeitam a coleira que ela porta (e uma escrava com coleira, não vai trocar seu Dono por um que não tem a honra de respeitar uma coleira). Apesar que já vi dizerem a frase “aquele Mestre tem escrava”, no sentido de que ele era comprometido e tinha DONA... meu Deus!

Mas mesmo que a vigília seja rígida sobre a exclusividade do Mestre, é fácil para os cafajestes simplesmente criarem outro nick para azararem e terem outra escrava. E daí mentirem, esconderem e TRAÍREM!!!... Sim... Mestre “Traindo”!!! E este tipo de traição é baunilha E TAMBÉM BDSM, pois aquele Mestre se comprometeu à exclusividade. Ele não está sendo incorreto por ser promiscuo, ele está traindo sua palavra e palavra, honra e caráter são imprescindíveis no BDSM.

Vejam que os dogmas baunilha só servem para trazer junto toda a podridão e falsidade baunilha... Porque então não viver uma relação honesta e livre, cúmplice, de entrega, respeito, verdade e honestidade que é possível no BDSM sem a imposição de tais exigências e castrações que só o denigrem?

Se tiver que haver exclusividade, que ela seja uma conseqüência, não uma prerrogativa. Que ela seja sincera, não uma imposição.

Se a escrava quer um Mestre namorado, parabéns, é um direito dela. Mas que não seja uma prerrogativa e que não queira de saída os dois ao mesmo tempo na mesma pessoa, pois não vai estar tendo os dois, vai estar tendo metade de cada um. Pois como ser os dois ao mesmo tempo o tempo todo? E se num dia a escrava esta sensível querendo ser a princesa e o Mestre esta sádico? Ou vice versa? Como combinar quando ser um ou o outro? Porque ser os dois ao mesmo tempo, é impossível. O que ela está conseguindo com a exigência prévia do 2 em 1 é dispensar bons Mestres que não são namorados e bons namorados que não são bons Mestres.

Já soube de várias “escravas” que tiveram “Donos” e não tem a mínima idéia do que é ser amarrada ou espancada.... Como pode?

O namoro e os sentimentos mais fortes devem ser uma conseqüência da prática e cumplicidade primordial do BDSM. E como surgem dele namoros, casamentos, amizades, amor e tudo mais. Mas isso sem ser uma prerrogativa para escolha do Mestre, muito menos uma exigência. É apenas a conseqüência natural de uma relação tão intensa.

Em suma, esta baunilhização que está ocorrendo, pode criar uma nova cara para o BDSM brasileiro (aliás, tudo no Brasil avacalha ? *rs). Como não sei de tal fenômeno em outros países, não há como prever as conseqüências dele. Mas, imagino, que os verdadeiros e puros BDSM, mais uma vez, terão que se esquivar num novo canto próprio após serem zombados ou execrados por aqueles que se intitulam também BDSM (são ? “BDSM =Baunilhas Desesperadas pelo Seu Matrimônio”? *rs)... É triste vermos que dentro do próprio meio já surgem preconceitos, imposições, cobranças, intrigas e hipocrisia, como se já não bastassem as que temos das pessoas e do meio fora dele.

Estamos num momento especial e de transição, sem dúvida, é esperar para ver o que irá acontecer. Enquanto isso, é mantermos cada um de nós as nossas próprias, sinceras e honestas convicções e objetivos, esperando que os desonestos encontrem um outro ambiente mais propício ao encontro de seus objetivos, em vez de querer denegrir nosso meio que deve privar – antes de tudo - da liberdade, honestidade, sinceridade e repúdio ao falso moralismo e à falta de caráter própria oriunda do desrespeito ao SSC&Honesto e não aos dogmas e exigências baunilha.

 

É a minha opinião!

 

Jot@SM