......... O Primeiro e Maior Romance BDSM Brasileiro .........

Submissão Concedida – 2ª Edição

Revista, atualizada e com novas práticas

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A IMPORTÂNCIA DOS LIMITES

 

          Tenho observado com muito receio o surgimento de uma corrente no BDSM que defende o fim da imposição de limites por parte da escrava.

 

          Os que me conhecem sabem que sou totalmente contra tal pensamento, e por isso não poderia deixar de me pronunciar sobre o mesmo, uma vez que não vi até agora ninguém levantar com afinco a bandeira da imposição de limites por parte da escrava, enquanto vejo crescer (inclusive entre elas) este pensamento de que tal prática é incompatível com a verdadeira submissão, tornando o Mestre um comandado de pulso fraco e engessado em suas atitudes, imposições e colocação em prática de suas fantasias...

 

          ...Mas não é bem assim.

 

          Será que se imagina que a imposição de limites se dá DURANTE A SESSÃO ?

 

          Se for assim, concordo plenamente que isso é inadmissível. Uma escrava durante a sessão dizendo o que admite ou não que seja feito é realmente patético. Seria passível de trocar a coleira de pescoço, sem dúvida. Afinal, como regra básica incontestável está a de que a palavra "não" (e aí incluamos qualquer tipo de negativa) inexiste no dicionário da escrava durante a sessão. Por isso mesmo estipula-se previamente uma Safe Word, que é uma forma de "driblar" o "não" num momento urgente, necessário, coerente e de desespero. E aí não estaríamos falando de "escrava controlando Mestre ou negando algo". Estaríamos num patente exemplo de insensibilidade e irresponsabilidade do dominador que extrapola o aceitável por sua sub. e recebe a devida e merecida "safe word" como alerta.

 

          Em suma, a sessão não é lugar para a escrava negar nada ao seu Mestre ou estipular limites. Assim fosse, concordo que quem estaria dominando seria ela. Mas como durante a sessão a escrava deve ser totalmente obediente, dedicada e servil ao seu Dono, é necessário para isso que ela se sinta segura com ele e confiante de que não ocorrerá nada que careça de uma "safe word", de uma negativa, de uma desistência por parte dela de sua submissão ou que cause-lhe um trauma irreversível após o sublime momento da sessão.

 

          E como estar segura disso ?

 

            Só há uma forma: Através de uma prévia e completa exposição de seus limites ao seu Mestre. Isso ANTES DA SESSÃO. E DE FORMA COMPLETA naquela fase IM-PRES-CIN-DÍ-VEL de "negociações e entendimentos virtuais".

 

          A meu ver, a escrava não IMPÕE limites. Ela EXPÕE limites. Pois isso se dá numa fase inicial de conhecimentos em que ela ainda não se assumiu como escrava daquele Mestre com quem troca idéias e nem ele a aceitou como sua escrava. (vejam aí a diferença). Logo. É nessa fase que ela EXPÕE seus limites. E, deixando-se de lado a costumeira prática de se expor neste momento mais limites que os verdadeiramente intransponíveis, cabe àquele que está em negociações com ela (odeio este termo, mas não acho outro) avaliar se aqueles limites por ela expostos interferem em seu estilo de dominação ou se estão todos incluídos dentre as cenas das quais ele não faça questão de praticar. Se assim for, em que os limites da escrava estariam interferindo, influindo, engessando ou deturpando a dominação do Mestre ?

 

          Vejamos um exemplo: Eu nunca conseguiria fazer chuva marrom. Se uma escrava me expõe este limite porque eu vou dizer que "Não a aceito como escrava porque não aceito escravas impondo limites !" ????... Isso não seria ridículo ?

 

          Por outro lado, se a escrava expõe diversos limites que interferem, influem e (ou) modificam a forma e estilo de dominar de um Mestre e ele mesmo assim a aceita (o que subentende respeitar incontestavelmente estes limites), o problema aí não está em se recriminar a prática de imposição de limites estragando a sessão, e sim reconhecer que aquele Mestre está visivelmente "matando cachorro a grito" e aceitando qualquer escrava. O que é um erro.

 

          Neste caso, ou ele deveria ser menos "ansioso" e procurar outra escrava sem tais limites e com ela ter sua plenitude no BDSM ou mesmo avaliar até que ponto esta sendo honesto consigo mesmo ao aceitar uma sub que nada tem a ver com seu estilo de dominação.

 

          Ou será que ele estaria planejando não respeitar os limites impostos ? Nem gosto de imaginar tal coisa que fere frontalmente os princípios básicos do BDSM quanto ao “são, seguro e consensual”. Ou será que ele está achando que conseguirá "convencê-la" a superar estes limites ? Se for assim a sessão deles será um fiasco, com o Mestre o tempo todo "de joelhos aos pés da escrava" implorando que seja mais submissa e completa, ou mesmo insistindo de forma desagradável para que ela abra mão dos seus limites...

 

          Mas não tomemos tais aberrações como exemplos.

 

          Esquematizando, salvo as relações libertinas e algumas raras exceções, as relações BDSM passam pelas seguintes fases:

 

1.   DO CONHECIMENTO – Quando um Mestre e uma escrava se conhecem. Seja por meio de chats, de encontros de grupos, de uma busca em classificados, ou outras. A partir daí tem-se o contato inicial quando se responde as perguntas básicas clichês: Idade, de onde tecla, experiência real, estado civil, etc... Tendo troca de fotos ou contato visual, melhor ainda.

 

2.     DO ENTENDIMENTO – Esta é a fase mais importante a meu ver. É nela que o Mestre irá demonstrar à pretensa escrava o seu estilo de BDSM, suas propostas, suas idéias e ideais, seus anseios, imposições  e desejos. Por outro lado, é nessa hora que a escrava também poderá e deverá EXPOR seus limites e anseios para a relação BDSM. Dependendo da intensidade de envolvimento que tenham e da experiência prévia de ambos, esta fase terá tempo de duração variável. Em especial porque é muito comum que as escravas sejam ainda inexperientes e, neste caso, o pretenso Mestre deverá previamente expor a ela toda a temática e prática do BDSM, quando paulatinamente, aprendendo-a, a escrava também poderá aos poucos ir definindo e expondo seus limites.

 

3.     DA ENTREGA – É quando o Mestre avalia se os limites expostos pela escrava não interferem no seu estilo de dominação e não irão ferir ou prejudicar aquilo que ele espera de sua sub.

 

Caso interfira, nem preciso dizer que cabe ao Mestre, sem nenhum intuito de persuasão da escrava, avisá-la de tal fato e – com o devido respeito e honestidade que cabe a um Mestre – "partir para outra".

Se interfere pouco, cabe aí a tentativa de uma negociação. Porque há de se convir que é normal a escrava – por um instinto de defesa até coerente nesta fase inicial – acabar expondo limites além dos verdadeiramente intransponíveis. Em suma, se ela pode abrir mão daqueles que estão atrapalhando a previsão de uma sessão completa para seu Mestre, seja porque os expôs em exagero, seja como prova de dedicação e desejo por aquele com quem está em entendimentos, perfeito.

Por fim, se os limites expostos pela pretensa escrava – mesmo que sejam inúmeros – não interferem no estilo e desejos do Mestre, processa-se aí a terceira fase: A da entrega. Quando enfim a escrava, já segura e confiante de que é aquele o Mestre que procura, e certa de seu respeito pelos limites acordados, se assume como sendo dele e ele a aceita com sinceridade.

 

4.     DA PRIMEIRA SESSÃO – É quando se porá em prática tudo aquilo que foi exposto e ansiado nas fases anteriores. E neste momento, já disse, é inadmissível que a escrava se trave e engesse seu Mestre, impondo novos limites ou negando-lhe alguma coisa que ele queira (ao menos que ele queira algo que tenha sido previamente aceito como limite. Aí é infantilidade dele). A parte de exposição e aceite de limites deveria ter sido exaustivamente superada na fase anterior. Se não foi, houve aí uma falha, não da existência dos limites, mas da paciência e maturidade de ambos e da amplitude e complexidade com qual foi tratado o assunto. Na primeira sessão e seguintes, a escrava deverá estar ali segura e confiante o suficiente para se entregar sem medos, sem travas, sem resquícios e ser totalmente dedicada e submissa. ... Enfim.... Desta forma, onde está a tal IMPOSIÇÃO DE LIMITES AO MESTRE QUE ENGESSA A RELAÇÃO E INVERTE A POSIÇÃO DE QUEM ESTÁ DOMINANDO ????

 

5.     DESENVOLVIMENTO – O BDSM é uma pratica crescente de desenvolvimento. Não tem limites à imaginação o universo de fantasias que podem ser praticados dentro dele. Logo, é natural que a cada nova sessão, mesmo depois de dezenas delas, apareça sempre uma nova cena, brincadeira ou fantasia. Monotonia, mesmice e tédio sem duvida não fazem parte de uma relação BDSM *heheh. Bem... se nesta fase a escrava se sente totalmente segura e confiante em seu Mestre, com a comprovação na prática de seu caráter, honestidade e sanidade. Aí sim, vejo ser possível a ela abrir mão de todos os seus limites. Mesmo aqueles previamente expostos. Mas isso não deve ser uma esperança nem muito menos uma imposição de seu Mestre. Mesmo porque, esta "abdicação dos limites", numa relação que teve seu começo e desenvolvimento com seriedade, em pouco alterará sua prática, porque afinal, não lembram ? Os limites desde o início não influíam nem faziam falta ao estilo de dominação daquele Mestre *pisc* Porém... é inegável o poder, a profundidade e a beleza de um ritual de entrega total ilimitado de uma escrava (mesmo que sem utilidade posterior *RRR*). É um momento de fazer qualquer Mestre se orgulhar e se derreter por sua sub. Além de poder propiciar à ela a cumplicidade de seu Mestre para ir além e realizar fantasias que antes julgasse inadmissíveis e que foram até ali evitadas por seu Dono. Mas isso deve ser feito num momento de amplo conhecimento de ambos e com total responsabilidade. Deve ser uma concessão, um privilégio, não uma prerrogativa.

 

          Não se imagine que os limites são úteis apenas para a escrava. O conhecimento prévio deles é necessário tb. para o Mestre, pois, respeitando-os, ele tem a garantia de que não terá uma desagradável e humilhante "safe word" esmigalhando seu ago ou uma escrava chocada e traumatizada depois da sessão, denegrindo sua imagem. E assim poderá se sentir à vontade para praticar todo seu estilo de dominação de uma forma saudável, segura e confiável para aquela que teve (tem) a honra de possuir.

 

          Mas é ainda mais que isso... Caso exista uma escrava totalmente sem limites e sem anseios, a meu ver, é esta uma escrava que não tem qualquer parâmetro para a escolha de um Mestre. Afinal, se ela não tem restrições e exigências pre-estabelecidas quanto aquilo que deseja e nega para seu Dom, qualquer Mestre e qualquer tipo de relacionamento BDSM lhe serve, pois como "escolher" e "preferir" se não se tem parâmetros de limites ou de exigências mínimas ?. Neste caso, esta escrava que a princípio pareceu tão perfeita e ansiada por qualquer Mestre, torna-se uma escrava sem maior valor para ele. Afinal, um verdadeiro Mestre não quer apenas dominar e ter o máximo possível de uma escrava. Ele quer moldar, ensinar, desenvolver, lapidar e SER ESCOLHIDO por ela. Quer sentir na entrega dela uma conquista dele e não uma escolha aleatória dela sem qualquer parâmetro. Estou errado ?

 

          Por fim, imaginemos o encontro desta escrava sem limites e seu Mestre inegociável. Ela o conhece e aparentemente ele lhe parece experiente e sério (lembremo-nos que todo cafajeste e criminoso perigoso parece sério e confiável a princípio). Ele a conquista e finalmente seguem para a sessão. Como ambos são adeptos da idéia da inexistência de imposição de limites, não conversam exaustivamente sobre este assunto (é desnecessário ou no mínimo "agressivo" contra a imagem daquele Mestre totalitário né ?). Sem falar em limites, aquele Mestre tb. Não se sujeitará a "antecipar" à escrava suas pretensões não é mesmo ? Para que ? Ele deverá estar ali na sessão totalmente à vontade para fazer o que quiser, sem se sentir restringido ou "engessado". Ora, se a escrava não tem limites, para que antecipá-la qualquer coisa da sessão e atrapalhar a excitação do suspense e da surpresa ? Para ela mesmo pouco interessa. Pra que saber ? Para poder restringir alguma coisa ? Ué... ela não é "sem limites", vai restringir o que ? Ou seria para pedir ou sugerir algo ao Mestre ? NADA DISSO, QUEM MANDA É ELE, E SÓ ELE !

 

          É desta forma que a escrava segue para a primeira sessão: confiante em sua escolha do Mestre (Confiante ???? Como ????? Como pode-se confiar e estar segura de algo desconhecido e inesperado ????)....

 

          Lá chegando, ele a imobiliza (entrega total sem limites né ?), venda-a (Não quero escrava controlando e vigiando o que estou fazendo – deve discursar este Mestre), Ele demora (Ela já começa a sonhar com tudo o que irá acontecer... só sonhar né ? Porque nem pode saber o que a espera, nem mesmo se virá o que deseja, pois não expôs suas expectativas ao Mestre dela, ela está ali só para servir e para tudo o que ele quiser)... E finalmente, o Mestre põe em prática - logo de saída - a sua maior fantasia ( que já fez com outras escravas com consentimento prévio ou não e algo que indubitavelmente faz parte do BDSM) : ELE A MARCA COM FERRO QUENTE NO ROSTO !...

 

          E então ? O que me dizem os defensores da abolição da imposição prévia de limites ?

 

          Que ela "queria aquilo ?” Que foi algo aceitável ? (se eles só tiverem aquela única sessão, ela vai levar para sempre aquela marca ?)

 

          O que aconteceu afinal ? O erro foi da escrava que negociou pouco com o Mestre para poder assim conhecê-lo e prever/evitar o que ele fez ? Ué, negociar para que, se não se pode impor limites nem demonstrar desejos ?

 

          Ou o Mestre não era confiável ? Como não ? Ele fez algo que tenha sido acordado antes que não podia ? Fez algo que esteja além ou fora do universo BDSM ?

 

          Ele foi precipitado em fazer algo de tamanha intensidade ? Ora, antecipado porque se está numa relação sem limites ? Porque se privar ou esperar a hora mais correta para fazer algo que é sua maior fantasia ?

 

          Isto é uma atitude que extrapola os parâmetros físicos e temporais da sessão, uma vez que a escrava ficará com uma marca visível social e permanente ? Ué, foi estipulado algum limite de que a escrava deveria ter sua vida privada e seu futuro preservado ? – Não são tantas as escravas COM LIMITES que aceitam e se orgulham de uma marca permanente ?

 

          Já sei... Esse Mestre é doido !!! Dirão que não serve como exemplo... Pode ser, mas como a escrava poderia saber disso antes se não negociou limites e anseios com ele ? Ela pode reclamar da insanidade dele se não a testou antes de se entregar irresponsavelmente ? O que ela pode "cobrar" dele agora ? Ele fez algo que não devia ?.. Ou não "podia" ?

 

          Ora, dirão que a escrava deveria esperar que aquele Mestre não exagerasse... Deveria ? Para ele não houve exagero. Aquela é a maior fantasia dele, que faz parte do universo BDSM e ele já fez anteriormente. Para ele é "básico" que uma escrava o faça. Por isso mesmo é que ele procura escravas SEM LIMITES.

 

          Já sei o que responderão: Ora, este caso hipotético não serve como exemplo porque, afinal... afinal... bem... o Mestre extrapolou, né ?.... EXTRAPOLOU ????? ... Extrapolou o que ????... Os limites ???... Ahhhh... Então tem limites é ? **RRRRRRRRRRR*... !!!...

 

         ...

 

          ... se é assim, falando sério, porque não deixar de lado a grandiloqüência que leva à irresponsabilidade e não expor previamente todos os limites (que existem sempre) e tê-los devidamente aceitos e respeitados, tornando o BDSM mais seguro para ambos, sem comprometer seu prazer e complexidade ?  

Jot@SM