......... O Primeiro e Maior Romance BDSM Brasileiro .........

Submissão Concedida – 2ª Edição

Revista, atualizada e com novas práticas

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REGRAS E RITUAIS

 

        Fala-se muito sobre regras e rituais e há tempos tenho guardado um verdadeiro "tratado" que impõe à escrava nada mais nada menos que 128 (CENTO E VINTE E OITO) Regras.

 

          Confesso que tentei, mas nunca consegui ler todas. Imagine então uma escrava que ainda é obrigada a decorá-las e cumpri-las. Seria esta a primeira tortura hard imposta à ela pelo seu Mestre ? *rs

 

          Brincadeiras à parte, uma escrava (submissa claro) que se proponha a cumprir 128 minuciosas regras estará realmente sendo SUBMISSA ? ... Como ? Se durante todos os momentos com seu Mestre ela precisa voltar sua total atenção ao cumprimento fidedigno de cada detalhe de comportamento que lhe foi imposto ? Ela está na sessão e em seu dia a dia mostrando sua submissão e dedicação ou sua capacidade de memorizar e obedecer procedimentos ?

 

         Para se mostrar a submissão e dedicação é necessário antes de mais nada "ESPONTANEIDADE e SINCERIDADE". As regras impostas à escrava submissa – que são, claro, imprescindíveis – devem ser antes de mais nada concisas, objetivas, úteis e coerentes. Devem Ter um sentido, um objetivo e principalmente, devem dar espaço à escrava de mostrar seu valor, sua dedicação, sua submissão, sua inteligência e sua personalidade BDSM.

 

 

          Numa época cibernética como a nossa, pode até ser atraente Ter um robô pré-programado e obediente como escrava. Eu prefiro uma pessoa.... GENTE... Que antes de mais nada tem encéfalo para poder também imaginar e por em prática atitudes que demonstrem sua submissão, sua entrega, seu prazer, seu desejo e sentimentos por seu Dono. E não somente uma máquina de cumprir regras minuciosamente programadas. Isso não é disciplina, é ignorância. Desprezar a pessoa existente atrás da escrava e querer que ela seja apenas um marionete no cumprimento de regras e rituais que muitas vezes sequer são de autoria de seu Dono, é um desperdício que nenhum verdadeiro Mestre se presta a fazer.

 

          Seguindo a mesma linha de raciocínio, viriam os rituais. Eles, com sua bela liturgia, são de uma importância incontesti no BDSM, claro. Mas "que tipo de rituais". Aqueles criados pelo Mestre que os impõe à sua serva ? Ou rituais minuciosos e teatrais escritos por Mentores literários que nunca o fizeram e apenas o disponibilizam para leitura e plágio por outros menos ou nada criativos "m"estres ? Como proceder a eles ? Interpretando-os como atores mambembes ?

   

          Os rituais, como as regras, também devem dar espaço à escrava submissa de mostrar seu valor, seus sentimentos, sua dedicação e sua SINCERIDADE. Pode-se disciplinar alguém a rígidas atitudes e procedimentos, mas é impossível se disciplinar sentimentos e pensamentos. Como então num ritual, onde até cada letra de cada palavra da resposta a ser dada pela escrava é imposta no "roteiro" pré-estabelecido, ela, a escrava submissa, poderá demonstrar SEUS sentimentos e SUA submissão sincera a seu Mestre ? Como ela pode pensar e se concentrar em sua entrega e dedicação, se apenas decora um roteiro minucioso que lhe impõe até a quantidade e tamanho de passos que tem que dar ? Onde está, pergunto mais uma vez, a ESPONTANEIDADE ? Que ela sim demonstra a personalidade, a submissão e a verdadeira entrega da escrava submissa ? Disciplinamento é necessário. Robotização é um desperdício alienante.

 

         E mais... Os rituais antes de mais nada devem nascer da imaginação, do gosto, do desejo e da personalidade do Mestre que os põe em prática. Não faz sentido impor à escrava um ritual de domínio público. Afinal, fazendo-o, quem está dominando a escrava ? Seu Mestre ou o autor do ritual ? Não me agrada ser "imediato executivo" de algum Mentor intelectual literário. Faço questão de ser eu mesmo o disciplinador e ritualizador de minhas servas.

 

         Além disso, seguindo o roteiro BDSM pré-estabelecido num texto literário, por melhor, mais belo, mais especial, mais coerente, mais eficiente e mais excitante que ele seja, não passará toda aquela cena de uma interpretação teatral. E lembremo-nos que até nas interpretações de textos clássicos os artistas hoje em dia se dão o direito de improvisar.

 

         Existe uma corrente inteligente que defende a idéia de que BDSM seja teatro. Eu discordo. Teatro subtende-se pessoas encenando personagens. Não é isso que ocorre no verdadeiro BDSM. Quando um Mestre está dominando, ele não está "interpretando" um Mestre, ele está "apenas sendo o que ELE É": UM MESTRE. O mesmo se aplica à escrava. É absurdo interpretar uma escrava. Na Segunda chicotada ela joga a coleira fora... Ou SE É BDSM, ou não.

 

         E aí é que está...

 

         A partir do momento que se cumpre e se "interpreta" um ritual minucioso pre-estabelecido, que impõe até as frases a serem ditas pelo Mestre e respondidas pela escrava submissa, onde está a oportunidade dos praticantes de "serem eles mesmos" ? Se até as respostas não vem de dentro ou do próprio raciocínio e sentimento de quem as diz, e sim do "script" apresentado que por vezes sequer foi escrito por nenhum dos dois ? Aí sim, concordo que estará havendo um teatro.

 

         Será que tal "caminho escolhido para disciplinamento e demonstração de submissão da escrava submissa" assim tem esta escolha porque nenhum dos participantes saberia o que fazer e como fazer BDSM, rituais, cenas e procedimentos, senão orquestrados por um texto pré-escrito ? Será que a completa abolição da espontaneidade por parte dos praticantes está ligada ao medo de que "nada aconteça na sessão e ritual se o mesmo for deixado ao improviso e imaginação de seus praticantes" ?

 

         Ora... quem VERDADEIRAMENTE É BDSM, tem acima de tudo o instinto, a imaginação, a personalidade e a iniciativa de fazer belas cenas e procedimentos, rituais e brincadeiras, sem a necessidade de previamente estipular cada passo, ou o que é pior, plagiá-los de textos por vezes escritos por pessoas de grande capacidade literária, mas nenhum verdadeiro gosto ou conhecimento do que seja o real e espontâneo BDSM.

 

          No caso do exagero nas regras, não há abrandamento ao meu ponto de vista. Porém, para os rituais rígidos, os seus defensores me dirão que a espontaneidade viria antes e posteriormente aos rituais, mas que durante eles as condutas devem ser rígidas e meticulosamente estudadas e predeterminadas. Ora, num ritual de minha autoria, que faço questão de repetir em cada sessão, a escrava deve agradecer com suas próprias palavras a coleira que lhe é colocada e pode demonstrar com algum ato espontâneo a sua honra e orgulho em portá-la e me pertencer. Este é um momento mágico e indispensável, onde a escrava submissa, de forma sincera e própria, mergulha profundamente no universo BDSM de onde efetivamente demonstra fazer parte. É maravilhoso e insubstituível ver a diversidade de frases e atos que surgem neste momento. Assim, se – sem abrir mão da beleza, profundidade e eficiência de um ritual – pode-se ser Mestre BDSM todo o tempo, porque perder tempo sendo Mestre de cerimônias ?

 

          Para finalizar, respondendo à pergunta "Como os elos psicológicos com nossos Donos/Donas interagem na nossa disciplina e entrega?". Eu diria que, nestes rituais minuciosamente programados, eles não interagem EM NADA. Pois, se todas as respostas e atitudes da escrava estão minuciosamente pre-estabelecidas, como é que ela vai interagir sua psique e personalidade com seu Mestre ? Como surgir um elo entre os dois, se ela não esta sendo ela mesma, mas sim a "personagem que lhe foi imposta" ? Como ela pode demonstrar seus sentimentos e dedicação e submissão se não pode sair do "script". Como ela pode sentir-se, imaginar-se e assumir-se de seu Dono em seu íntimo, se está preocupada apenas em ser obedientemente moldada ?

 

         Sou contrário à frase "os rituais trabalham e enfocam na mente da submissa os desejos e preceitos do Mestre". Mesmo os mais perfeitos, espontâneos e sinceros rituais, impõe somente "condutas e procedimentos". Servem para disciplinamento das atitudes da escrava e agrado caprichoso do Mestre, não para reflexão da submissa. Pois não se pode, E NÃO SE PODE MESMO, disciplinar sentimentos e pensamentos, só atitudes. Personalidade não se disciplina. Ela se cria e se trabalha/desenvolve, baseada em coerência, diálogo e honestidade, nunca em rigidez imposta. Lembremo-nos que a melhor técnica desenvolvida pelas forças armadas para deixar seus integrantes acéfalos, insensíveis e obedientes é impor-lhes repetida rigidez nas minuciosas atitudes e gestos.

 

         Em suma, em que momento de tais rituais teatrais a escrava pode pensar, sentir, refletir e expor sua sincera submissão e entrega a seu Dono, se está preocupada em "representar" competente e fidedignamente o minucioso papel da personagem que lhe foi imposta por ele e não em viver a escrava submissa que ela realmente é, caso realmente seja ? Quando terminar o ritual ? Então para que fazê-lo ?

 

                    É a minha opinião,

 

Jot@SM