......... O Primeiro e Maior Romance BDSM Brasileiro .........

Submissão Concedida – 2ª Edição

Revista, atualizada e com novas práticas

......................... CLIQUE AQUI e adquira o seu .........................

_______________________________________________________________________________________________________________

 

REMORSO DO MESTRE QUE AMA

 

         Uma pergunta que deve povoar as dúvidas dos baunilhas e daqueles que desacreditam e debocham do amor que pode surgir no e do BDSM foi objeto de um questionamento levantado certa vez por uma amiga numa lista de discussão:

 

         Qual o sentimento que se sobressai ao exercer o sadismo numa pessoa que amamos ?

 

         Especificando, numa relação BDSM mesclada com namoro, romance e/ou amor, em que a parte dominada é submissa mas não é masoquista (ou seja, não sente prazer diretamente na dor), no momento de observar o rosto marcado pelo sofrimento da pessoa amada surge algum conflito ou remorso no Mestre ? O sentimento de prazer sádico ao observar a face contorcendo-se em dor é conflitante com o sentimento de proteção e carinho que temos mais acerbado com os que são donos de nossos corações? Haveria necessidade e modo de desvincular isto no momento da cena ?

 

         ...

 

         Respondendo...

 

         ...

 

         Inicialmente devemos definir o “amor do Mestre Sádico” citado na pergunta como sendo um AMOR BDSM. Pode parecer irrelevante, mas não é. Porque há distinção entre um amor baunilha e até mesmo um amor baunilha que nos leve a fazer o BDSM, ou mesmo um amor baunilha surgido no BDSM, do verdadeiro AMOR BDSM. Este sim surgido dentro do BDSM, advindo de sua prática e sentido por pessoas assumidas, honestas e respeitadoras de nossa fantasia, pelo e para o BDSM, mesmo que ele extrapole suas fronteiras e adentre também em práticas baunilhas.

 

         Esta distinção se torna importante porque se o amor que um Mestre sente por sua serva é o baunilha e não o BDSM, neste caso sim ele pode entrar em conflito ao infringir dor à sua escrava amada. Pq a visão “melosa” do amor baunilha é incompatível com a prática da tortura, dos castigos e da dor. Concordo.

 

         Mas acredito que ao fazer os questionamentos minha amiga referiu-se àqueles Mestres BDSM que realmente o são honesta e autenticamente dentro de si e de seu “dom”, e não apenas em suas atitudes, práticas e no quanto se aproveitam de nossa fantasia para seu bel e mesquinho prazer sexual. Porque se incluirmos na pergunta aqueles “m”estres que vêem na escrava um ser inferior e as julgam apenas um objeto sexual, sem dúvida ao depararem com o sentimento de amor dentro de si surgido por sua serva eles entrarão em um grande conflito. Porque estes “m”estres tem dentro de si a convicção de que escravas são “lixo inamáveis”, seres inferiores usáveis e descartáveis e por isso mesmo, estando a amar a sua, só poderiam se confundir e julgar estar amando esta pessoa baunilhamente (Pois eles se recusam a admitir a existência do amor BDSM) e portanto, em sua ignóbil convicção, esta pessoa amada baunilhamente só pode ganhar carinhos e mimos, não é mesmo ? Nunca dor. Pois a dor para estes “m”estres seria dirigida apenas àquelas pobres mulheres de pouca estima que eles julgam ser a escrava, nunca àquela grande mulher e pessoa que conquistou o seu amor.

 

         Tadinho ! Imagino o grande e merecido conflito que deve surgir na cabeça dessem”estre. E pior, a cara de frustração e inconformismo de sua escrava diante do inexplicável - para ela - remorso que seu “d”ono venha a ter durante ou depois de torturá-la.

 

         Tudo o que ele vai conseguir com estes conflitos e remorsos, e principalmente mudando suas atitudes para com sua escrava, é receber dela a coleira de volta e passar o resto da vida tentando entender o que foi que aconteceu.

 

          Assim, concluo que um Mestre tem que ter remorso e arrependimento é de baunilhar, relevando e até abandonando o BDSM, e com isso merecer o desprezo e o adeus de sua escrava amada por ter sido levado pela ignorância de não admitir a existência do AMOR BDSM e pela tolice de manter sua imagem equivocada e absurda do que é uma escrava e a capacidade que ela tem de nos conquistar.

 

          Mas vamos à resposta que interessa, ou seja, sobre os sentimentos reinantes dentro de uma verdadeira, autêntica e honesta relação BDSM:

 

         Em primeiro lugar, vejamos que a minha amiga, visando “complicar” a pergunta, restringiu-a às submissas que não são masoquistas, acabando - na verdade - por facilitar bastante a resposta. Isso porque sempre defendi minha convicção de que uma submissa suporta - com alegria e felicidade - muito, mas muuito mais dor que a masoquista. Porque esta última está sentindo a dor para seu prazer próprio, enquanto que a submissa a sente e se resigna a ela por dedicação e para agrado de seu Dono, que isto sim é que lhe dá prazer... E concordemos que o prazer com a dor tem limite, enquanto que a dedicação da escrava submissa, não.

 

         E o que é esta dedicação, esta submissão e esta entrega da escrava submissa senão um grande sentimento ?.... Humm.... O que é um “grande sentimento” ?..... Hummm.... Amor ????... Então na hora em que a escrava submissa está suportando a dor e se deleitando com o prazer de agradar seu Dono que ama ela não está simplesmente exercitando, demonstrando e até ampliando o seu Amor ?

 

         Tá bem, tá bem... A pergunta era sobre o amor DO MESTRE...

 

         Quando torturo minha escrava não estou em hipótese alguma fazendo-lhe uma maldade, uma agressão ou uma violência (quem tem esta visão são os baunilhas ou aqueles “m”estrelhecos que citei). Não estou agindo com raiva ou ódio, estes sim sentimentos incompatíveis com um amor que  eu sinta. Não estou colocando-a inferior ou rebaixando-a, muito pelo contrário, estou elevando-a ao dar a forma e permitir que ela demonstre também todo seu amor (como citei acima).

 

          Ora, diante da forma como se processa a tortura, dos sentimentos que reinam dentro de nós antes e durante ela, dos olhares e sorrisos de ambos que se fazem presentes naquela hora, diante dos sentimentos de entrega e segurança de minha escrava, de nossa alegria e felicidade na cena e da Paz e realização que se sucedem, nem preciso dizer que o que estou fazendo a ela, a nós e à nossa relação é um grande BEM, nunca uma maldade. Pois estou nada mais nada menos do que exercitando as práticas que levaram ao surgimento deste sentimento tão grande que possamos ter.

 

          Enfim, não há como ter conflito, muito pelo contrário, o que há neste momento é uma confirmação, uma complementação e uma ampliação deste sentimento único. E remorso ? Não há porque tê-lo ao ver que minhas atitudes só fazem crescer ainda mais em mim e em minha amada este forte sentimento, ampliando ainda mais toda a nossa relação, entrega, prazer, realização e cumplicidade.


         Teria remorso sim, de confundir meus sentimentos ou os dela e de acabar por preconceito renegando a tudo o que possamos ter, sempre alicerçado nesta prática e universo maravilhosos que é o BDSM, mesmo que nos permitamos (e porque não ?) por vezes também desfrutar deste amor baunilhamente ou da força da amizade, do companheirismo e da cumplicidade que podem ser tão grandes em nossa fantasia e por isso conseguem se estender e adentrar nos limites além do BDSM, mas que nasceram, cresceram e se solidificam cada vez mais e a cada dia NO BDSM.

 

         É a minha opinião.


Jot@SM