......... O Primeiro e Maior Romance BDSM Brasileiro .........

Submissão Concedida – 2ª Edição

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BDSM É TEATRO ?

 

          Por diversas vezes já ouvi o raciocínio e máxima de que o BDSM seria teatro.

 

          Sempre discordei deste ponto de vista e minha própria experiência e sentimentos sempre me levaram a refutar esta idéia. Porém, ao ver diversos Mestres respeitáveis defendendo-a, vi a necessidade de raciocinar mais profundamente sobre ela, mas acabei mantendo minha convicção:

 

          BDSM não é teatro. Pois o teatro tem elementos fundamentais e básicos que a meu ver não existem numa sessão e relação BDSM: A personagem, o script e a platéia.

 

          Em minhas sessões eu não interpreto uma personagem. Não sou um cruel carrasco da inquisição, um Rei/imperador, um tirano, ou um criminoso estuprador, muito menos incorporo a personalidade caricata de um ser “superior” e “todo-poderoso” sobre minha escrava. Não estou ali sendo outra pessoa que não eu mesmo. Durante as sessões eu sou simplesmente o Jot@SM que existe dentro de mim com dom, naturalidade e sinceridade. Não estou sendo uma personagem, mas sim uma de minhas próprias e verdadeiras personalidades.

 

         É claro que o Mestre Jot@SM não é o J. do trabalho, da relação com a  família ou mesmo do churrasco de fim de semana com os amigos. Mas desde quando alguém tem apenas uma personalidade ?

 

          Todos nós temos diversas personalidades que afloram ou surgem dependendo da situação e da necessidade. É verdade que por muitas vezes interpretamos sim, no dia a dia, personalidades que não são as nossas, por alguma questão de necessidade. Porém, o Mestre Jot@SM não é uma interpretação de “alguém”. Não estou fingindo ser outra pessoa que não eu mesmo, mas sim, simplesmente deixando aflorar na hora certa e com a pessoa certa esta personalidade que efetivamente existe dentro de mim e que flui plena e sinceramente durante a sessão ou na relação com minhas escravas. Logo, como chamar isso de “teatro” se não estou interpretando ou sendo alguém que não sou, mas simplesmente eu mesmo em minha maior plenitude, no momento certo e com a pessoa certa ?

 

          Diante disso, eu já afastaria do BDSM os elementos “personagem” e “interpretação”, fundamentais no teatro.

 

          Mas outro elemento seria o “script”. Ou seja, teatro rege-se por uma história pré-concebida onde já se sabe o que fazer e qual será a resposta do outro ator. No teatro, salvo algumas improvisações, a historia já é toda conhecida em seus mínimos meandros e desenvolvimento. Assim, tirando um único ritual que faço (o da coleira) e mesmo que fizesse diversos outros rituais onde houvesse pequenos scripts, mesmo assim o script maior não existiria, pois na sessão não há improvisos entre scripts, há sim uma total espontaneidade, liberdade de ação e de idéias para o Mestre a ser respeitada pela escrava, que também reage de forma sincera (e até inesperada).

 

          Um ator tem esta liberdade ? Claro que não. Mesmo que ele seja também o autor e diretor da peça, terá sempre que seguir seu script usando apenas alguns poucos improvisos que não comprometam a sua interpretação e a do(s) outro(s) ator(es).

 

          Nesta questão, também por parte da escrava, ela não sabe o que irá acontecer nem a ordem dos acontecimentos durante a sessão. Suas respostas, reações e sentimentos serão sinceros e não interpretados, dissimulados e nem estarão guiados e preconcebidos por um script, mas sim pelo improviso e comando empírico, imediato e imprevisível de seu Dono que tem o controle da situação e cenas naquele momento.

 

          E é aí que entra uma conclusão importante: O teatro é uma “farsa”, o BDSM não.

          O que acontece na peça teatral são apenas imagens para uma platéia. O BDSM é uma realização de uma fantasia para si mesmo e para a(s) outra(s) pessoa(s) com quem se interage. Numa peça teatral o chicote não dói, o Mestre não tortura de verdade e nem a submissão e a dor são reais. Na sessão, sim. Ora, que grande ganhador do prêmio Moliére suportaria uma sessão de tortura S&M verdadeira sem que ele seja, além de ator, também masoquista ? E se for masoquista, quem estará ali na sessão: a atriz ou a masoquista ? *rs

 

          Neste ponto, não consigo conceber que uma mulher consiga “interpretar” a personagem de escrava numa sessão. Ou ela tem este dom dentro de si (e aí como ela estaria interpretando a ela própria ?) ou não conseguirá levar e suportar uma sessão real até o fim, por mais que almeje uma grande interpretação digna de uma vaga milionária na Rede Globo.

 

          Conclui-se que o interesse do teatro é interpretar para uma platéia, geralmente buscando um reconhecimento, fama e/ou pecúnia, enquanto o do BDSM seria a realização pessoal e de prazer com a colocação em prática dos sonhos, fantasias e do dom BDSM que existe sinceramente em algumas pessoas. E mesmo que o intuito seja representar para uma platéia (como nas play partys) o objetivo maior ainda seria a vaidade de expor seu poder, seu estilo e suas fantasias e não uma retribuição de aplausos e reconhecimento artístico, como no teatro.

 

          Acredito que bem tenha exposto minha opinião sobre o assunto. Porém, sempre ressalto que o universo BDSM é muito vasto em estilos e por isso mesmo é difícil manter-se uma máxima universal para ele. Destarte, sempre haverá as “exceções”, e, buscando-as, consegui encontrar e reconhecer apenas uma delas, onde o legítimo BDSM seria TAMBÉM teatro:

 

          Quando o Dom e a escrava efetivamente interpretam personagens.

 

          Ou seja, sessões em que o Dom, por exemplo, personifica um Imperador Romano, um carrasco da inquisição, um estuprador, etc, e a sub, em contrapartida, uma escrava romana, uma vítima da Santa Sé ou uma pobre menininha indefesa. Nestes casos, é claro, estaria se interpretando uma fantasia, um personagem, uma história e até mesmo um script. Não se estaria “interpretando” Mestre e escrava BDSM numa sessão, mas sim algum personagem fantasioso em uma história, até mesmo com script preconcebido e com uma verdadeira interpretação teatral.

 

         E claro que interpretar outros personagens não fará com que a relação deixe de ser verdadeiramente BDSM (se for), pois estaria ali havendo apenas uma teatralização como mais uma fantasia inserida dentro do BDSM e não um BDSM interpretado como teatro. Assim, não devemos confundir teatralização (verbo) que seria um jogo dentro da relação BDSM, com teatro (adjetivo) que aqui neste texto teve os sentido de  ilusão/farsa.

 

         Porém, tirando essa exceção, não me ocorre agora nenhuma outra em que o BDSM possa ser comparado a teatro, ao menos que vejamos “teatro”, não como ilusão/farsa como foi neste texto, mas como os comportamentos que efetuamos no nosso dia a dia julgando ser a vida um grande teatro. Aí sim o BDSM seria teatro, como tudo seria teatro. Mas isso é outra interpretação.

 

         Assim, BDSM é teatro somente se uma das pessoas na sessão e na relação não é realmente um Dominador ou uma escrava BDSM, ou seja, não tem em si a sinceridade e a realidade do BDSM em seu dom e estaria praticando-o apenas com outros objetivos, até mesmo financeiros. Aí sim, tenho que concordar que essa pessoa estaria “interpretando” o personagem Mestre ou escrava com o objetivo de iludir e aproveitar-se da outra pessoa (esta sincera ou não). Porém, sempre afirmo que esta é uma situação de desonestidade, que nada tem a ver com BDSM, mas com canalhice ou tentativa de se aproveitar de nossa fantasia para fins escusos e, por isso mesmo, não posso encarar esta situação como uma exceção ao meu ponto de vista sobre o BDSM não ser teatro, simplesmente porque neste caso, o que está ocorrendo, nem é BDSM.

 

                   É a minha Opinião,

 

                                                         Jot@SM